Fernando Henrique quer manter contatos frequentes com o sucessor de Fernando de la Rúa, o presidente Adolfo Saá, nos próximos dias. Ele considera fundamental que os dois países estejam ''muito sintonizados'' neste momento em que o novo governo está se constituindo. Ter certeza de que as recentes rusgas econômicas entre os dois países não vão interferir no relacionamento político, na visão do Palácio do Planalto, poderá fazer com que a Argentina se sinta mais segura.

O Mercosul também é considerado importante para a garantia da democracia. Uma das cláusulas do tratado que criou o mercado comum determina: os países que o integram precisam ter governos democraticamente constituídos. Qualquer sócio será excluído em caso de ruptura. Nas conversas que manteve, Fernando Henrique lembrou que dois presidentes de países do bloco já deixaram o governo, por meio de impeachment ou de renúncia, e nem por isso houve a implosão do Mercosul. Ele se referia a Fernando Collor de Mello, no Brasil, e Raúl Cubas, no Paraguai.

A área de inteligência do governo acha que, pelo menos por enquanto, não há porque ter preocupações com a possibilidade de quebra da normalidade democrática na Argentina, ou seja, um golpe militar. As reuniões entre o ministro da Defesa argentino e os chefes militares de lá serviram para tranquilizar as autoridades brasileiras.

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