Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs ontem a criação de uma área de livre comércio entre os membros do G-20 - grupo de países em desenvolvimento, liderados pelo Brasil, que busca a ampliação do comércio de produtos agrícolas com a União Européia e EUA e combate os subsídios que eles concedem à agricultura.
''Creio que podemos ser mais ousados e pensar no lançamento de uma área de livre comércio entre os países do G20, aberta a outros países em desenvolvimento'', disse Lula, ao discursar para as delegações de ministros de países do G20, no Palácio do Planalto. ''Afinal, muitos dos nossos países já estão engajados individualmente e coletivamente em processos desse tipo na América do Sul, na África e na Ásia'', disse.
Lula lembrou que o Mercosul já negocia áreas de livre comércio com a Índia e a África do Sul - ambos membros do grupo, ao lado, entre outros, da China, da Argentina e do México.
''Por que, então, não tentar levar essa lógica às suas consequências naturais e tratar de termos uma grande área de livre comércio dos países do Sul? Não para que deixemos de lado os mercados dos países desenvolvidos, que continuarão a ser fundamentais, mas para explorar plenamente o potencial que existe entre nós e que não depende de concessões dos países ricos'', afirmou Lula.
O presidente pediu aos ministros do G20 que reflitam sobre sua proposta, que voltará a ser discutida na 11 reunião da Unctad (Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento), em junho, em São Paulo.
Segundo Lula, a voz do grupo, além de se fazer ouvir na Organização Mundial do Comércio (OMC), ganha ressonância em todos os debates sobre o aperfeiçoamento do multilateralismo.
A proposta de Lula, da criação da área de livre comércio, é de difícil execução. Há anos, por exemplo, se arrastam as negociações para a criação de uma área de livre comércio entre o Mercosul e a Comunidade Andina (Peru, Bolívia, Colômbia, Venezuela e Equador).

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