Presidente não assina manifesto por jornada menor
SÃO BERNARDO DO CAMPO - O presidente Fernando Henrique Cardoso se recusou ontem a assinar um documento de apoio à campanha pela redução da jornada de trabalho organizada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores). O abaixo-assinado foi apresentado a FHC pelo presidente da central, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, durante o encontro que tiveram na fábrica da Ford, em São Bernardo do Campo.
A CUT resolveu pedir a assinatura do presidente depois das declarações de apoio à redução da jornada feitas por FHC na quinta-feira. Em seu discurso, durante visita à sede da Força Sindical, em São Paulo, FHC se mostrou favorável à idéia. Se há condições, que se reduza a jornada, disse. O presidente afirmou ainda que o governo daria o apoio possível para que a idéia se transformasse em realidade.
Segundo Vicentinho, a recusa de FHC em assinar o abaixo-assinado não satisfez ninguém. Foi uma reação negativa e mostrou que o discurso do presidente é um e a prática, outra, disse.
Para Vicentinho, a assinatura do presidente seria um gesto simbólico que sinalizaria o apoio do cidadão Fernando Henrique ao projeto. A redução da jornada de trabalho é uma das bandeiras atuais do sindicalismo.
O movimento sindical estima que 2,5 milhões de empregos poderiam ser criados, caso a jornada fosse reduzida de 44 para 40 horas semanais. A campanha da CUT foi lançada no final de 96. A central está recolhendo assinaturas pedindo a aprovação de um projeto no Congresso. A Força Sindical também defende a idéia. O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, ligado à Força, pretende negociar a redução da jornada em 300 empresas.





