Presidente Lula minimiza alta da taxa de juros
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quinta-feira, 21 de outubro de 2004
Agência Estado 
Rio de Janeiro - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, minimizou ontem a alta da taxa básica de juros (Selic) e destacou a prioridade do governo na redução dos juros ao consumidor. Ele não fez qualquer referência à decisão tomada ontem pelo Conselho de Política Monetária (Copom) de elevação da taxa mas, em discurso na cerimônia de posse da nova diretoria da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), afirmou que ''vejo meus companheiros falarem que a Selic está muito alta, mas o consumidor já pagou 150% de juros por uma geladeira e nunca vi ninguém defendendo o consumidor''.
Em seguida, o presidente questionou: ''porque não baratear juros para o consumidor?''. E citou as iniciativas do governo de conceder empréstimos aos trabalhadores em folha, com juros mais baixos, beneficiando, inclusive, os aposentados. ''Vamos colocar dinheiro no mercado, para circular dinheiro neste País''.
Depois da cerimônia, em entrevista, o presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Roger Agnelli - citado duas vezes por Lula como interlocutor permanente do governo - disse sobre a alta da Selic que ''os juros estão dados, se está certo ou não cabe ao Copom decidir, porque são eles que têm as ferramentas para medir o que influencia a inflação''. Questionado se acredita que a alta da Selic vai travar o crescimento econômico, o executivo afirmou que as perspectivas para o próximo ano ''são muito boas'' e a elevação do juro não vai mudar a trajetória de expansão da economia.
Agnelli lembrou que a economia está crescendo e há reajustes de preços normais de final de ano e, segundo ele avalia, o Banco Central está atento a isso. ''A economia está mais aquecida, se o petróleo recuar teremos novas quedas de juros no início de 2005''.
Também o ministro Antonio Palocci (Fazenda) defendeu ontem a decisão do Copom de aumentar a taxa básica de juros para 16,75% e disse que o governo confia nas avaliações da diretoria do Banco Central. ''Nós confiamos integralmente nas avaliações do Copom. As atas do Banco Central têm sido muito claras. O banco tem sido muito transparente'', disse.
Novo pacote - O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Guilherme Afif Domingos, avalia que, com o aumento da taxa básica de juros (Selic), o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou que, ''depois da eleição, vem pacote de maldades''. Para ele, em um momento em que a inflação dá sinais de queda, tudo indica que o governo está se antecipando às pressões de custos que poderão ser geradas com um aumento nos preços da gasolina e diesel acima do esperado.
''Deve ser chumbo grosso mesmo'', insistiu Guilherme Afif. Ele acredita que o aumento da Selic acima do que esperava todo o mercado indica que ''vem mesmo tempestade pela frente''. E como o consumidor ''está escaldado'', a decisão do Copom deverá ''reverter as expectativas de vendas, já que as compras a prazo têm sido o carro chefe do crescimento econômico''.


