Genebra - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ''desafiou'' ontem as empresas multinacionais a investirem no Brasil. Falando para uma platéia de mais de 200 executivos de empresas de todo o mundo em um seminário em Genebra, Lula e seus ministros fizeram verdadeiras juras de bom comportamento para conseguir investimentos para o País. ''O governo brasileiro está não apenas fazendo a sua parte, como estamos desafiando o empresariado brasileiro e o empresariado estrangeiro que tem investimento no Brasil para que a gente não fique parado e para que nós possamos ir à luta'', afirmou Lula, que em seu discurso apontou que, se dependesse dele, o País cresceria mais de 4% em 2004.
O presidente, ao explicar suas políticas para o País, voltou a atacar a forma pela qual as ''elites'' governaram o País no passado. ''A maior parte dos problemas que temos hoje é resultado da ação passada de uma elite que geriu o Estado em proveito de poucos. Ela foi incapaz de realizar reformas. Comprometeu a saúde fiscal do Estado. Agravou de forma insuportável as desigualdades sociais'', afirmou para os investidores estrangeiros.
Lula reconheceu que ''ninguém vai ficar fazendo concessões gratuitamente'' ao País e que investidores não vão basear suas ações no fato de o Brasil ter ''criança de rua, problemas sociais e analfabetos''.
''Esses não são motivos para sensibilizar nenhum investidor a colocar nenhum centavo no Brasil. O que vai incentivar é o que nós podemos oferecer em infra-estrutura, mercado e mão-de-obra'', afirmou Lula, lembrando que 2003 foi ''um ano muito difícil'' e que os ajustes no País tiveram de ser ''mais duros'' do que a equipe do governo imaginava.
Os executivos demonstraram otimismo com as perspectivas econômicas do País e com as garantias dadas pelos ministros da Fazenda, Antônio Palocci, e do Planejamento, Guido Mantega. Pelo discurso dos empresários, a retomada dos investimentos pode ocorrer, mas será fortalecida apenas diante de um crescimento do PIB do País. Para os ministros brasileiros, esse crescimento ficará entre 3,5% e 4%.
Para Furlan, que acredita que o evento deva dar um retorno de US$ 10 bilhões em investimentos, as exportações em 2004 podem superar a marca dos US$ 80 bilhões.
O vice-presidente para Assuntos Internacionais da montadora italiana Fiat, Mauro Pasquero, foi um dos que salientaram que investimentos vão depender do comportamento da economia. ''Tudo vai depender do crescimento em 2004. Com uma atividade maior, obviamente planejaremos investimentos, como, por exemplo, o lançamento de modelos de automóveis'', disse. Já o presidente do grupo espanhol Telefónica, Cesar Alierta, tem uma avaliação mais positiva. ''Sempre confiamos no Brasil e agora mais do nunca. Estamos convencidos de que 2004 será um ano de crescimento, pois a economia brasileira reúne todas as condições para isso. Vamos continuar investindo no País'', disse.

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