Presidente 'ignora' proposta do FGTS
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de janeiro de 2001
Agência Estado De Seul 
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem, em entrevista coletiva, em Seul, não ter informações sobre a proposta do ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, para o pagamento da correção do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). É uma questão que é preciso se chegar a um entendimento. É preciso pagar porque vai ter que ser pago, já que é uma decisão da Justiça, disse o presidente. Ele ressaltou, no entanto, não ser possível descapitalizar o fundo. Não dá para fazer a solução que se deseja se não houver recursos. O ministro está criando condições para isso, disse o presidente.
Pela proposta de técnicos do governo, empresários e trabalhadores dividiriam a conta da correção. As empresas, que hoje depositam mensalmente nas contas de seus empregados 8% do salário, passariam a contribuir com 8,5%. E os trabalhadores, que hoje recebem 8% nas suas contas do FGTS, dariam sua cota abrindo mão de 0,5 ponto porcentual do valor depositado hoje, passando a receber 7,5%.
A pressão dos coreanos junto ao governo brasileiro acabou provocando um mal-estar ontem, por causa da interpretação dada pela imprensa local de que na conversa entre os presidentes dos dois países teria ficado acertada a concessão de novos subsídios à Hyundai-Kia. O presidente disse claramente que não está em condições de prorrogar incentivos, mas sinalizou que pode negociar prazos para instalação da empresa no Brasil, disse o ministro Seixas Correa, interino nas Relações Exteriores.


