Presidente FHC cobra redução de taxas juros
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domingo, 20 de agosto de 2000
Agência Estado De Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso já reclamou mais de uma vez do que chamou a ganância dos bancos, que apesar das sucessivas quedas dos juros básicos determinadas pelo Banco Central (BC), continuam cobrando taxas muito elevadas nos empréstimos. Na semana passada, durante a reunião de conjuntura, em que participaram a equipe econômica e os principais ministros do governo, Fernando Henrique voltou a falar no assunto. Mas para quem espera uma solução para breve, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, manda um recado: se canetada desse certo, o Brasil não teria mais problemas, disse.
O diretor descarta, ainda, a possibilidade de qualquer medida para obrigar os bancos a emprestarem recursos para determinados setores. Segundo Figueiredo, a única maneira efetiva de reduzir os juros é aumentar o volume de crédito disponível para empréstimos no sistema financeiro. E, para garantir que isso aconteça, o BC vem tomando providências desde o ano passado para estimular novos empréstimos. Os efeitos já são visíveis, garante o diretor.
Segundo Figueiredo, o BC constatou que a taxa de juros para o consumidor está caindo mais rapidamente do que a taxa primária, fixada pelo governo. A pouca percepção que a população tem dessa realidade, de acordo com o diretor, é porque os juros ainda estão em níveis muito altos. Mas já foram muito mais altos, explica. A redução dos juros também vem obrigando os bancos a aumentarem o volume de empréstimos, explica Figueiredo. Com a inflação sob controle e a queda na taxa de juros básica, a aplicação em título público passou a não ser mais tão rentável. Dar crédito passou a ser mais vantajoso e, com a competição entre os bancos para ter a quem emprestar, as taxas caem, afirmou. Os dados do BC mostram que o volume de crédito do segmento livre em junho atingiu R$ 130,4 bilhões, com crescimento de 1,2% sobre maio.
Para Figueiredo o montante de crédito no Brasil ainda é muito pequeno. Chega a apenas 30% do Produto Interno Bruto (PIB), para 161% nos EUA, 144% no Japão e 130% na Europa. Mesmo assim o diretor pondera que não dá para comparar. Enquanto nos outros países o empréstimo é concedido com garantia, no Brasil mais de 80% do crédito é dado sem garantia de recebimento, no caso de inadimplência ou falência do tomador.


