O presidente Fernando Henrique Cardoso já reclamou mais de uma vez do que chamou ‘‘a ganância dos bancos’’, que apesar das sucessivas quedas dos juros básicos determinadas pelo Banco Central (BC), continuam cobrando taxas muito elevadas nos empréstimos. Na semana passada, durante a reunião de conjuntura, em que participaram a equipe econômica e os principais ministros do governo, Fernando Henrique voltou a falar no assunto. Mas para quem espera uma solução para breve, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, manda um recado: ‘‘se canetada desse certo, o Brasil não teria mais problemas’’, disse.
O diretor descarta, ainda, a possibilidade de qualquer medida para obrigar os bancos a emprestarem recursos para determinados setores. Segundo Figueiredo, a única maneira efetiva de reduzir os juros é aumentar o volume de crédito disponível para empréstimos no sistema financeiro. E, para garantir que isso aconteça, o BC vem tomando providências desde o ano passado para estimular novos empréstimos. Os efeitos já são visíveis, garante o diretor.
Segundo Figueiredo, o BC constatou que a taxa de juros para o consumidor está caindo mais rapidamente do que a taxa primária, fixada pelo governo. A pouca percepção que a população tem dessa realidade, de acordo com o diretor, é porque os juros ainda estão em níveis muito altos. ‘‘Mas já foram muito mais altos’’, explica. A redução dos juros também vem obrigando os bancos a aumentarem o volume de empréstimos, explica Figueiredo. Com a inflação sob controle e a queda na taxa de juros básica, a aplicação em título público passou a não ser mais tão rentável. ‘‘Dar crédito passou a ser mais vantajoso e, com a competição entre os bancos para ter a quem emprestar, as taxas caem’’, afirmou. Os dados do BC mostram que o volume de crédito do segmento livre em junho atingiu R$ 130,4 bilhões, com crescimento de 1,2% sobre maio.
Para Figueiredo o montante de crédito no Brasil ainda é muito pequeno. Chega a apenas 30% do Produto Interno Bruto (PIB), para 161% nos EUA, 144% no Japão e 130% na Europa. Mesmo assim o diretor pondera que não dá para comparar. Enquanto nos outros países o empréstimo é concedido com garantia, no Brasil mais de 80% do crédito é dado sem garantia de recebimento, no caso de inadimplência ou falência do tomador.

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