Presidente do Uruguai critica restrições
Buenos Aires - ''Me inclino por um Mercosul preferencialmente econômico''. A declaração é do presidente do Uruguai, Jorge Batlle, que criticou a tendência do bloco do Cone Sul em dedicar-se às questões políticas, deixando de lado as tarefas pendentes na área econômica. ''Para nós, o Mercosul é comercial e econômico. Mas, para outros, é político'', lamentou.
A reclamação, feita ao tradicional jornal portenho ''La Nación'', foi uma estocada àquilo que os negociadores uruguaios consideram como uma tendência tanto do Brasil como da Argentina em ocupar-se em simbolismos políticos - como o apressado acordo com a Venezuela e o México - em vez de colocar ''a casa em ordem'', limpando os conflitos comerciais internos.
Batlle criticou as medidas anunciadas pelo governo argentino de restrição à entrada de eletrodomésticos de linha branca e televisores Made in Brazil: ''não entendo qual é a natureza do conflito. O princípio do Mercosul é que as fronteiras sejam livres. Se um déficit comercial gera estas medidas, o que é que nós, uruguaios, teríamos que fazer, já que sempre tivemos déficit comercial com a Argentina? Os acordos de mercado não se fazem para igualar as vendas e as compras''.
No governo da Colômbia também existe a sensação de que o Mercosul está caminhando sem avançar. O vice-presidente colombiano, Francisco Santos Calderón, que participou da cúpula de Puerto Iguazú na semana passada, declarou ao jornal ''La Nación'' que o bloco do Cone Sul ''avançou no papel, mas, como dizemos em nosso país, é preciso passar dos fatos aos feitos''. (AE)





