São Paulo - O presidente do Grupo Santander, Emilio Botín, morreu na noite de terça-feira (9), aos 79 anos, vítima de um ataque cardíaco, na capital espanhola. O falecimento foi comunicado pela entidade financeira à CNMV, comissão de valores mobiliários da Espanha. Emilio Botín, chamado de "El Presidente" pelos colegas de trabalho e terceiro da geração Botín a comandar o Santander, esteve à frente da investida para criar um banco global, oferecendo serviços múltiplos a empresas multinacionais e uma gama de serviços aos consumidores. Ele dirigiu seu olhar afiado para os negócios para divulgar a marca do Santander ao redor do mundo, somando US$ 1,8 trilhão em fundos e cerca de 200 mil funcionários.
"Ele foi um homem capaz de fazer o Banco Santander se tornar o banco mais importante de nosso país", afirmou o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, a jornalistas no Parlamento. "Eu tive uma reunião com ele na semana passada e ele estava bem e em boa forma. Foi uma surpresa e um golpe."

No Brasil
O Santander é o quinto maior banco privado do Brasil e o sexto da lista, se considerado o BNDES. No segundo trimestre de 2014, a entidade registrou lucro líquido de R$ 527,5 milhões no País, com um acréscimo de 5,35% em comparação com igual período do ano passado. A carteira de crédito do banco no País somou R$ 279,2 bilhões ao fim de junho.
"Cabe a nós, do Santander Brasil, continuar, com ainda mais intensidade, o trabalho de crescimento de nosso banco no País, a maior homenagem que podemos prestar a ele", afirma Jesús Zabalza, presidente da instituição financeira no país. Executivos do Bradesco no Brasil também lamentaram a morte de Botín. O presidente do conselho de administração do banco, Lázaro de Mello Brandão, afirmou que o espanhol era um "líder arrojado e determinado", que "soube posicionar a instituição que comandou nos últimos 30 anos aos postos mais altos da hierarquia financeira internacional".
O presidente executivo da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, informou, em nota que a entidade recebeu com pesar a notícia do falecimento do presidente mundial do Grupo Santander, Emilio Botín. "Ele foi um dos mais destacados banqueiros do mundo, por sua criatividade e capacidade de liderança, além de ter sido um amigo do Brasil, país ao qual sempre dedicou confiança e admiração", diz Portugal.

BIOGRAFIA
Nascido em 1º de outubro de 1934, em Santander, Botín foi herdeiro da tradição financeira de sua família, já que seu avô e seu pai também foram presidentes do banco. O executivo começou a dirigir a entidade bancária em 1986 e foi um dos responsáveis pela sua expansão internacional. Formado em Direito e Economia pela Universidade de Deusto, Emilio Botín ingressou aos 24 anos no Santander. Botín se tornou um dos poucos gerentes que, além de presidir a entidade, também era seu principal executivo e máximo acionista. Sua gestão se caracterizou pela estratégia de conquista do mercado internacional e por um processo de fusões e aquisições nacionais para conseguir a liderança entre os bancos espanhóis. Emilio Botín era casado com Paloma O'Shea Artiñano e tinha seis filhos.

NOVA PRESIDENTE
O conselho de administração do Santander elegeu por unanimidade Ana Patricia Botín como nova presidente do banco, após a morte de seu pai, Emilio Botín. "Ela é a pessoa mais idônea, dadas suas qualidades pessoais e profissionais, sua experiência, sua trajetória no grupo e seu unânime reconhecimento nacional e internacional", diz a nota da CNMV. No comunicado, Ana Botín, que liderava os negócios do Santander no Reino Unido, agradeceu a confiança do conselho de administração em "um momento tão difícil" para a família. "Assumo com total compromisso minhas novas responsabilidades. Durante anos, trabalhei no grupo Santander em diferentes países e pude comprovar a enorme qualidade e dedicação de todas nossas equipes", disse.

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