Rio de Janeiro - O presidente da Repsol do Brasil e do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo de Gás), João Carlos de Luca, afirmou ontem que os preços da gasolina e do diesel no país são ''irreais''. Segundo ele, o patamar dos preços tem de ser analisado pelo governo, sem adiamentos. De Luca reclamou que a Repsol vem tendo prejuízos na área de refino há quatro meses consecutivos. A empresa tem 30% de participação na Refap (Refinaria Alberto Pasqualini), os outros 70% são da Petrobras.
A companhia compra petróleo produzido pela Petrobras a preços internacionais e revende no mercado interno com preços que, segundo de Luca, estão defasados. Os preços da gasolina e do diesel não têm reajuste desde setembro de 2005. ''Estamos sentindo dificuldades nos últimos meses. Os resultados não têm sido positivos. Nos preocupa muito uma situação com essa'', afirmou. De Luca participa de seminário promovido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), no Rio.
Para o executivo, o preço praticado no Brasil não atrai investidores estrangeiros para o refino. Ele lembrou que a Petrobras está ''lastreada'' por uma produção de cerca de 2 milhões de barris/dia de petróleo. ''Para quem compra com preço do mercado internacional, e vende aqui, fica complicado'', reclamou.
De Luca alertou para o risco de se criar um ''artificialismo'' nos preços dos combustíveis a exemplo do que ocorreu na Argentina. O presidente da Repsol lembrou ainda que estão sendo feitos investimentos de mais de US$ 1 bilhão na modernização de equipamentos da Refap para adequação às novas exigências de qualidade dos combustíveis que entrarão em vigor em 2010.

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