O presidente do Centro Nacional de Recursos Genéticos (Cenargen) da Embrapa, Luiz Antonio de Castro, disse ontem que o Brasil está atrasado com relação à pesquisa de alimentos transgênicos e atribuiu a resistência da sociedade brasileira ao consumo de organismos geneticamente modificados (OGMs) à atuação da imprensa.
Para Castro, a campanha ‘‘informal’’ contra os transgênicos beneficia principalmente as grandes indústrias de defensivos químicos, que perderiam mercado com o cultivo de transgênicos. O plantio de soja, milho e outras lavouras transgênicas em grande escala deve reduzir a necessidade de aplicação de herbicidas e outros defensivos. O plantio de organismos geneticamente modificados (OGMs) ainda está proibido no País e o governo federal apenas permite lavouras experimentais para fins de pesquisa científica.
O mercado mundial de agrotóxicos movimenta US$ 40 bilhões por ano. O Brasil é responsável pelo consumo anual de 6% de pesticidas, que representam um volume de US$ 2,5 bilhões. ‘‘O Brasil subestimou o poder das indústrias, que há 50 anos dominam o mercado’’, disse Castro.
De acordo com o professor do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Rubens Nodari, a adoção comercial de transgênicos deve ser melhor discutida pela sociedade brasileira. Nodari criticou a pressa com o que os defensores da tecnologia querem aprovar a liberação dos transgênicos e lembrou que nem mesmo a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável pelo controle e acompanhamento do assunto definiu as regras. ‘‘Até agora a CTNBio ainda não definiu como será a rotulagem dos produtos modificados geneticamente’’, afirmou Nodari, durante o segundo dia de debates do Encontro Brasil-Grã Bretanha – Plantas Transgênicas, que será encerrado hoje em Curitiba.

mockup