Davos - O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, previu em Davos (leste da Suíça) ''um período de bonança'' este ano para a América Latina, com um crescimento de 4%, e com Brasil e Argentina assumindo o papel de locomotivas.
''Acabou o quinquênio de recessão. Há uma recuperação forte'', explicou Iglesias a um reduzido grupo de jornalistas, à margem do Fórum Econômico Mundial de Davos, encerrado ontem.
''Estamos entrando em um período de bonança'', assegurou. ''É uma oportunidade que se abre para a região'', assinalou o presidente do BID.
Iglesias disse ainda que Argentina e Brasil terão um papel de motor neste período. ''A Argentina está crescendo muito bem. Acho que vai crescer em torno de 6% e o Brasil em torno de 4%. As duas economias têm muito peso na região em seu conjunto'', lembrou.
Na opinião de Iglesias, a recuperação da economia latino-americana é ''uma oportunidade que se abre para a região''. O presidente do BID destacou que ''a conjuntura internacional é favorável''.
''A maior parte dos preços das matérias-primas permanece estável. Os juros estão baixos. A desvalorização do dólar favoreceu nossa competitividade na zona não-dólar'', explicou.
''Os países fizeram ajustes importantes, como a desvalorização de suas moedas em termos reais, ajustaram seus déficits fiscais ao máximo e têm uma situação muito mais segura em matéria de balanço de pagamentos'', destacou.
''Todos estes elementos parecem caminhar na direção certa'', afirmou Iglesias, que elogiou a Argentina pela ''extraodinária performance'' realizada desde a crise de 2001.
''Temos de admitir que é um país que realizou progressos realmente impressionantes'', reconheceu Iglesias, que destacou que a Argentina ''está saindo mais rapidamente da crise do que se pensava há dois anos''.
Quanto ao Brasil, o presidente do BID afirmou que o país ''está ganhando a batalha pela confiabilidade'', graças à ''política ortodoxa'' aplicada por seu presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.
''O Brasil apostou numa política ortodoxa para reconquistar a confiança dos mercados'', explicou. O presidente do BID também destacou os sinais positivos emitidos pelos Estados Unidos.
''Temos uma forte interação com a economia dos Estados Unidos, e o crescimento anunciado é uma boa notícia para todos'', afirmou. Iglesias avisou no entanto que a prolongação da debilidade do dólar poderia constituir um perigo. ''A curto prazo, a debilidade do dólar nos beneficiou, mas a longo prazo, não será tão favorável, pois poderá eventualmente induzir uma modificação das taxas de juros, e isto representa sempre um custo importante para a América Latina'', explicou.

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