Brasília - Apesar de ganhar mais folga junto ao FMI para o cumprimento das metas de inflação, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, não deixou claro se essa mudança abre espaço, de imediato, para o BC continuar a trajetória de queda da taxa de juros retomada na reunião do Copom de julho, quando a taxa Selic caiu de 18,5% ao ano para 18% ao ano.
Irritado, o presidente do BC preferiu desqualificar questionamentos sobre quando o novo acordo poderá surtir efeito nos juros. ''Isso é perda de tempo'', reagiu Fraga, mostrando desconforto com o tema. Mais tranquilo, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, tentou corrigir a indelicadeza do presidente do BC e disse que esse era um assunto decidido nas reuniões do Copom.
Apoiado nos novos recursos e também na redução do limite mínimo das reservas internacionais de US$ 15 bilhões para US$ 5 bilhões, o Banco Central decidiu acabar com as intervenções diárias de US$ 50 milhões que vinha fazendo no mercado de câmbio. Elas voltarão a ocorrer quando o governo julgar necessário. ''Vivemos uma fase de volatilidade alta e decidimos ter uma postura mais flexível para reagir a esse tipo de situação'', comentou Fraga.
No entanto, o BC deverá administrar muito bem o uso desses recursos em momentos de maior nervosismo no mercado, já que o acordo prevê que a equipe econômica terá de se explicar ao FMI toda vez que gastar mais do que US$ 3 bilhões das reservas internacionais num prazo de 30 dias. As intervenções ocorridas até onanteontem não contam.

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