Presidente do BC não convence holandeses
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quarta-feira, 11 de setembro de 2002
Agência Estado 
Amsterdã - A reunião realizada ontem entre o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, e cerca de 50 investidores e analistas na sede do banco holandês ABN Amro mostrou claramente o elevado grau de incerteza e a boa dose de pessimismo sobre as perspectivas da economia brasileira que ainda dominam vários setores dos mercados internacionais.
O encontro serviu também para confirmar que o impacto da desaceleração global sobre o Brasil é um tema que está cada vez mais preocupando os investidores. Durante cerca de 40 minutos, Fraga fez uma detalhada avaliação da situação brasileira. Ele ressaltou o compromisso assumido pelos candidatos à Presidência com o acordo com o Fundo Monetário Internacioanl (FMI), exibiu projeções que indicam a sustentabilidade do balanço do pagamentos do País nos próximos anos e assegurou que o Brasil tem condições de resistir mesmo diante de um prolongado cenário de aversao ao risco nos mercados globais.
''O Brasil está enfrentando um situação difícil, provocada pela combinação do nervosimo político e a conjuntura internacional adversa'', disse Fraga. ''Mas vamos superar essa fase, tenho absoluta confiança nisso.''
Após a palestra do presidente do BC, na sede do ABN Amro, foi a vez de os analistas fazerem as suas perguntas. Um deles afirmou que a taxa de risco Brasil ''permanece na casa dos 2.000 pontos-base'' nos últimos três meses. ''Isso, na minha experiência, é o padrão de um país que vai ao default da dívida'', disse o analista.
Fraga lembrou que a taxa de risco do Brasil recuou para cerca de 1.700 pontos-base, mas que houve nos últimos meses ''momentos de dúvida'' sobre o País. Entretanto, segundo ele, após o anúncio do acordo com o FMI e o compromisso de responsabilidade fiscal e política monetária assumido pelos candidatos, houve uma melhora substancial no sentimento do mercado.
Em relação às perspectivas da economia global, Fraga disse não ''estar muito otimista, mas haverá uma recuperaração em algum momento.''
''Eu nunca vi um país com políticas fiscal e monetária responsáveis e que possui a nossa estrutura institucional não conseguir superar as suas dificuldades'', argumentou. ''A atual conjuntura internacional é um teste difícil, mas nós temos todas as condições e instrumentos e estamos preparados para superá-lo.''


