Jerome Powel participou do encontro anual da Associação Americana de Economia, em Atlanta, ao lado de ex-presidentes do FED Janet Yellen e Ben Bernanke
Jerome Powel participou do encontro anual da Associação Americana de Economia, em Atlanta, ao lado de ex-presidentes do FED Janet Yellen e Ben Bernanke | Foto: Jessica McGowan/Getty Images/AFP


Nova York - Ao que tudo indica, paciência será a palavra do ano para o banco central americano. Foi com ela, por exemplo, que o presidente do FED (Federal Reserve), Jerome Powell, conseguiu nesta sexta-feira (4) acalmar os mercados, que vinham do pior ano desde a crise global e tiveram uma primeira semana pouco animadora também.
Ao lado de seus dois antecessores imediatos, Janet Yellen e Ben Bernanke, respectivamente, Powell participou de um painel do encontro anual da Associação Americana de Economia, em Atlanta.
Pouco antes, ele tomou conhecimento de que o mercado de trabalho americano continua sólido, com a criação de 312 mil vagas em dezembro e uma taxa de desemprego de 3,9%. A inflação ainda continua em torno de 2% ao ano.
Nada nos dados econômicos disponíveis, segundo analistas, abre espaço para que a decisão do Fed de subir juros quatro vezes no ano passado e potencialmente duas neste ano seja questionada. Ainda assim, Powell, nesta sexta, julgou que era importante tranquilizar os investidores sobre a política monetária adotada pelo banco central dos EUA.
"Particularmente, com as moderadas leituras de inflação que estamos vendo, nós vamos ser pacientes conforme observamos como a economia evolui", afirmou. "Não há um caminho preestabelecido para a política. Nós estamos sempre preparados para mudar a posição da política e mudar significativamente."
O presidente do Fed usou como comparação o comportamento do banco central americano em 2016, sob comando de Yellen. O mercado esperava quatro altas de juros. As turbulências internacionais e domésticas - afinal, era ano eleitoral nos EUA - fizeram com que a autoridade monetária elevasse a taxa apenas uma vez, em dezembro.
"Ninguém sabe se este ano vai ser como 2016", disse. "Mas o que sabemos é que estaremos preparados para ajustar a política rapidamente e com flexibilidade para usar todas as nossas ferramentas para apoiar a economia se for apropriado para manter a expansão nos trilhos, para manter o mercado de trabalho forte e para manter a inflação perto de 2%."
O discurso de Powell ajudou a acalmar os mercados. Depois das falas do presidente do Fed, os principais indicadores americanos, que haviam afundado no dia anterior sob impacto da queda de 10% das ações da Apple, passaram a subir com mais força. Às 14h18 (local), o Dow Jones subia 3,20%, o S&P 500 avançava 3,28% e o índice da Bolsa Nasdaq tinha valorização de 4,28%.
As declarações foram dadas depois de o mais recente aumento de juros no país, no último dia 19 de dezembro, ser pessimamente recebido pelos investidores.
A alta já era indicada em setembro, mas o mercado acreditava que o Fed levaria em consideração os sinais cada vez mais claros de que há uma desaceleração econômica sincronizada no mundo que exigiria uma postura mais cautelosa do BC dos EUA.

mockup