Buenos Aires - O presidente do Banco Central da Argentina, Mario Blejer, apresentou formalmente sua renúncia ontem no fim da tarde. Blejer, que não chegou a ficar no cargo mais de cinco meses, partiu por causa de ‘‘diferenças irreconciliáveis’’ com o ministro da Economia, Roberto Lavagna, e o secretário de Finanças, Guillermo Nielsen, com os quais divergia sobre a política monetária e a forma de realizar as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
No entanto, a gota d’água da tensa relação entre Blejer com o governo foi a persistência do presidente Eduardo Duhalde em negar a imunidade jurídica para a diretoria do BC, sobre a qual pairam ameaças de processos na Justiça contra o ‘‘corralito’’ (semi-congelamento de depósitos bancários) e os fechamentos de bancos.
O presidente do BC ficará no cargo até o dia 30 deste mês, já que ao longo da próxima semana iria para Washington, possivelmente para acompanhar o ministro Lavagna em suas negociações com o FMI. Blejer era o único homem que servia de vínculo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), onde trabalhou por mais de duas décadas. Nos últimos anos havia se ocupado do Departamento do Oriente, onde trabalhou com o indiano Anoop Singh, que no início do ano transformou-se no chefe da missão do FMI para a Argentina, e que há um mês tornou-se no chefe do Departamento de Ocidente.
O substituto de Blejer, de forma provisória, será o vice-presidente do BC, Aldo Pignanelli, um homem que, ao contrário da maioria dos integrantes do Banco Central, não provém do setor financeiro, e sim, industrial. Os nomes que circulam para substituir Blejer de forma definitiva são os de Guillermo Lesniewier, Felipe Murolo e Alejandro Henke, todos integrantes da diretoria do BC. Além deles, também especulam-se os nomes do economista Gabriel Rubinstein, atual assessor do secretário das Finanças, Guillermo Nielsen. Mas, o preferido do ministro Lavagna é o economista Alberto Camarassa.
No meio das turbulências de ontem, o dólar voltou a subir. Nos bancos, a cotação foi de 3,63 pesos. Nas casas de câmbio, 3,73 pesos. A Bolsa de Buenos Aires caiu 3,33%.

mockup