Presidente do BB quer base tributária maior
O presidente do Banco do Brasil, Paulo César Ximenes, defendeu ontem, em Curitiba, o aumento da base de contribuintes que pagam impostos como alternativa para elevar a arrecadação tributária. Ele disse que é mais viável ter um número maior de pagantes do que aumentar as alíquotas dos impostos. O governo vai ter que investir muito mais na base de contribuintes do que aumentar as alíquotas, afirmou.
Ximenes esteve em Curitiba para reinaugurar a agência do Bacacheri, que foi remodelada para se adequar aos padrões definidos pelo Banco do Brasil. O banco investe R$ 2 milhões na readequação das agências em todo o País. Ele evitou falar em política econômica nacional. Disse que é apenas um cumpridor das metas e decisões feitas pela equipe econômica do governo federal.
Quanto aos boatos sobre o anúncio de um novo pacote econômico após as eleições, Ximenes se mostrou cético. Não se fala em medidas drásticas e radicais ou planos e pacotes, mas políticas coerentes para reduzir o déficit, disse. Ele acredita que os ajustes que poderão ser feitos são apenas para garantir o compromisso de reduzir o déficit público para 3% do Produto Interno Bruto (PIB).
O presidente do Banco do Brasil se sentiu mais à vontade para fazer críticas ao setor comercial, que nos últimos meses tem responsabilizado os bancos pelo excesso de cheques sem fundos emitidos. A culpa não é de quem dá o cheque, mas do comércio que libera o crédito para qualquer cliente sem analisar se ele poderá ou não pagar as prestações, afirmou. Ximenes disse que os lojistas têm que assumir o risco e não apenas culpar os bancos. Ele diz que apóia as iniciativas das associações comerciais no sentido de moralizar o cheque.
O presidente do Banco do Brasil deu como exemplo de restrição ao crédito a própria política adotada pelo banco. Desde que os juros se elevaram, o Banco do Brasil passou a reduzir a liberação de dinheiro aos clientes. Centralizamos em São Paulo toda a análise de risco das operações de financiamento para garantir que o dinheiro só seja liberado a quem puder honrar o compromisso, afirmou.
A política de análise de crédito se une a uma série de procedimentos adotados para manter o banco competitivo. O nosso desafio é sermos tão competitivos quanto a rede privada, afirmou. No primeiro semestre, o banco teve um lucro de R$ 415 milhões, quase o dobro em relação ao primeiro semestre de 97, quando o resultado foi de R$ 237 milhões.Mauro FrassonCarga pesadaXimenes, presidente do BB: contra o aumento das alíquotasCarmem Murara





