Pressionado pelas turbulências no mercado que levaram à queda das bolsas na última quarta-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso definiu ontem o modelo de privatização de Furnas, mantendo a venda pulverizada de ações e transformando-a em uma grande instituição pública. A companhia será separada do grupo Eletrobrás e dividida em duas empresas, uma para geração e outra para a distribuição de energia.
As ações serão vendidas ao público, priorizando a região onde presta serviço, e o governo federal manterá o controle acionário por meio de uma golden share até que a nova instituição conquiste independência administrativa.
‘‘É uma forma diferente de privatização, porque não vai haver leilão, não vai haver grupos internacionais ou mesmo grandes grupos nacionais’’, explicou o ministro das Minas e Energia, José Jorge (PFL). ‘‘Será uma grande incorporação pública, com as ações nas mãos da população’’, acrescentou. Embora tenha determinado as linhas gerais do modelo, o presidente não definiu uma data para a venda de Furnas. ‘‘A data será definida pelo BNDES e nós vamos fazer sem pressa’’, disse José Jorge. Os detalhes da privatização e o cronograma da sua execução serão definidos pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Uma fonte ligada ao governo garante que, pela sua complexidade, a conclusão do modelo de venda da estatal não sai antes de meados do ano que vem, postergando a privatização para o próximo governo, como antecipou o Estado de S. Paulo.
Às vésperas do feriado e após um dia de grande instabilidade no mercado financeiro, o anúncio do modelo foi um gesto político do presidente para tranquilizar e preservar o interesse dos investidores na empresa. Segundo um interlocutor, a principal preocupação de FHC foi transmitir um sinal positivo para o mercado, dando garantias de que a forte pressão política no Congresso e do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, não fariam o governo recuar da decisão de privatizar Furnas e que o modelo de venda seria mantido.

mockup