Presidente da Volvo quer inclusão do grande frotista no Modercarga
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terça-feira, 02 de setembro de 2003
Sílvio Oricolli<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A idade média dos cerca de 1 milhão de caminhões que compõem a frota brasileira é de cerca de 15 anos. O governo estuda instituir um programa (o Modercarga) para financiar a renovação dos veículos, nos moldes do Moderfrota, plano de financiamento de máquinas agrícolas já implantado com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Peter Karlsten, presidente da Volvo do Brasil, com sede em Curitiba, diz que a expectativa é muito boa em relação aos resultados do programa porque contribuirá para a renovação da frota. Mas considera que a proposta original, de só direcionar a linha para a aquisição de veículos novos e para pequenos frotistas, deveria ser revista pelo governo.
Karlsten entende que o pequeno frotista não teria condições de investir na compra de novas unidades, o que comprometeria o objetivo do programa de renovação da frota de caminhões. Por isso, defende a inclusão do grande frotista no Modecarga e também a possibilidade de financiar veículos usados.
Desta forma, entende o presidente da Volvo, os grandes empresários teriam condições de comprar caminhões novos, repassando os que dispõem, com idade entre três e cinco anos, para os transportadores pequenos. ''Os grandes manteriam as frotas atualizadas, os pequenos disporiam de veículos mais modernos e os caminhões mais velhos seriam retirados do mercado'', raciocina Sérgio Gomes, gerente de Estratégia e Planejamento de Produto da montadora.
Karlsten destaca que o Moderfrota trará grandes benefícios, não só para os caminhoneiros e frotistas. Segundo ele, os veículos novos são mais eficientes a um custo menor; são mais seguros, a ponto de contribuir para reduzir a ocorrência de acidentes, além de serem menos menos poluentes. ''Temos de nos preocupar, no presente, com a eficiência no transportes de carga, com a rentabilidade do cliente, mas também com o futuro de nossos netos, evitando o comprometimento do meio ambiente, reduzindo a emissão de agentes poluidores que irão comprometer o ambiente. Isso se consegue com caminhões novos e modernos'', argumenta.
Para Karlsten, o incremento de vendas do setor de caminhões de todos os tamanhos atualmente da ordem de 33 mil unidades , mas sobretudo dos pesados, utilizados no transporte de grandes distâncias e que respondem por cerca de 16 mil veículos por ano, depende do investimento na recuperação da malha viária brasileira e também das inversões nas rodovias dos demais países da América do Sul.
Apesar do potencial de mercado, diz o presidente da Volvo, ele não se expande por falta de condições de ampliar os negócios entre os países sul-americanos. ''Atualmente é mais fácil mandar uma carga por navio para os Estados Unidos, do que efetivar comércio entre o Brasil e o Peru por falta de condições de tráfego das rodovias'', exemplifica o presidente.
O gerente Sérgio Gomes lembra que entre 60% e 70% das cargas na América do Sul são transportadas por rodovia, sendo que 70% correspondem à rota internacional. No Brasil, o índice de mercadorias escoadas por rodovias ultrapassa os 60%.


