O presidente venezuelano, Hugo Chávez, solicitou ontem em Brasília de maneira oficial a entrada de seu país no Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), o que ele espera que se concretize antes do final de 2001. ‘‘Fizemos a solicitação formal de adesão ao Mercosul’’, informou Chávez em uma entrevista coletiva, depois de se reunir com seu colega brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, ao qual comunicou sua intenção de fazer parte do bloco regional.
Chávez participará na qualidade de convidado da próxima reunião do Mercosul, em junho, em Assunção, e manifestou sua vontade de que ‘‘antes do final do ano a Venezuela esteja associada ao Mercosul’’. A Venezuela havia decidido negociar em bloco junto com a Comunidade Andina (CAN, que integra junto com Bolívia, Colômbia, Equador e Peru) um acordo de livre comércio com o Mercosul, mas, segundo Chávez, essa negociação se desenvolve ‘‘com uma lentidão admirável’’, e por isso Caracas decidiu acelerar sua entrada ‘‘de maneira soberana’’.
DesmentidoO ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, negou ontem que Brasil e Estados Unidos estivessem negociando a antecipação da co-presidência das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) em seis meses. ‘‘Isso não é verdade’’, afirmou. ‘‘Nos parece que as presidências, como foram negociadas, são apropriadas e temos certeza de que o Equador tem plenas condições de exercer a presidência’’. O Equador assume a presidência da Alca na próxima semana. A antecipação da co-presidência do Brasil e dos Estados Unidos diminuiria o tempo de comando desse país.
O ministro também negou a existência de um memorando enviado aos países da Alca pelo Departamento de Estado americano, que teria sido o responsável pelo malogro das negociações entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e George W. Bush, conforme publicado pela imprensa no início da semana. ‘‘Eu participo diretamente das negociações da Alca e nunca vi nenhum memorando’’.

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