A roda viva da economia do Brasil tem passado como um rolo compressor sobre parte da população que não tem conseguido pagar as suas dívidas. Ao comparar os índices de inadimplência no País em torno de 11% a 12%, o presidente da Serasa, Elcio Anibal de Lucca, que esteve ontem em Londrina, é otimista ao destacar que 98% dos brasileiros são bons pagadores. Uma porção pequena de fraudadores, na opinião de Lucca, é que apostam no calote.
Pegando carona no raciocínio do presidente da Serasa, encontramos consumidores que por algum motivo, como o desemprego, problemas de saúde ou mudanças de mercado, que inviabilizam as atividades profissionais de alguns consumidores, contribuem para que tenham dificuldades em saldar dívidas.
''De um modo geral, a inadimplência tem crescido porque há um crescimento também de crédito. No ano passado, o crédito para pessoa física cresceu 35%. A previsão para 2006 é de cresça cerca de 25%'', afirmou de Lucca, acrescentando que a taxa de inadimplência em Londrina é igual a média nacional.
O presidente da Serasa, que esteve anteontem em Maringá (noroeste do Estado) para inaugurar um novo endereço do serviço Serasa gratuito de orientação ao cidadão no Paraná, ressaltou que a inadimplância naquele município é 0,5 ponto percentual menor que a taxa londrinense.
Para de Lucca só estão se dando bem na economia de juros altos, os empresários que compreendem que a oferta de crédito requer metodologia correta. ''É possível vender para uma pessoa que tem crédito negativo porque você tem à disposição outras informações sobre o cliente'', avaliou.
Ele arrola a necessidade do consumidor projetar a médio e longo prazos a sua capacidade de endividamento. A mesma orientação vale para os que querem sair da inadimplência.
''Na verdade, quem quer receber pode baixar o valor da dívida, ampliar os prazos de pagamento e não protestar o cliente'', completou o presidente da Serasa, apontando que o melhor caminho é a negociação.
O serviço Serasa gratuito de orientação ao cidadão, como o que existe em Londrina há mais de 20 anos e que inaugurou endereço em Maringá, ajuda os que pretendem deixar a lista dos devedores, esclarecendo dúvidas sobre a regularização de pendências financeiras e na baixa de anotações negativas.
Lucca disse ainda que as perspectiva sobre a inadimplência nos próximos meses dependem da variação do crédito. ''Esse ano será melhor porque é ano político, com mais dinheiro circulando na economia. Ano também de Copa do Mundo em que os comerciantes vendem mais, esticam os prazos. Porém, não vejo perspectivas ruins já que os brasileiros estão entendendo que têm formas da gente se programar para uma compra. Se deseja comprar a prazo, a recomendação é começar a poupar'', concluiu.

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