Presidente da Petrobras minimiza petróleo a US$ 30
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Nicola Pamplona<br>Folhapress 
Rio de Janeiro - O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, disse ontem que a produção de petróleo no pré-sal permanece viável, mesmo com o petróleo por volta dos US$ 30 por barril. "O pré-sal é extremamente competitivo", afirmou em entrevista coletiva na qual detalhou o processo de reestruturação da companhia, com o qual a estatal espera economizar R$ 1,8 bilhão por ano. Ele não detalhou, porém, qual seria o custo de produção dos projetos, limitando-se a repetir a cifra de US$ 8 por barril, que indica apenas o custo para extrair o petróleo do subsolo, sem considerar investimentos, impostos e gastos em logística. Antes da crise, a empresa falava em US$ 40 por barril, já considerando esses fatores.
"O pré-sal é um dos grandes diferenciais da Petrobras", afirmou o executivo, ao dizer que a companhia manterá seu foco no desenvolvimento dessas reservas. Ele defendeu que os projetos são de longo prazo e os preços do petróleo tendem a se recuperar. "Não é porque o petróleo chegou a US$ 30 que será o fim do mundo." O presidente da Petrobras reconheceu, porém, que o cenário é "desafiador" e disse que a missão da gestão atual é preparar a companhia para suportar períodos de petróleo barato. O tema é um dos focos da elaboração do novo plano de negócios da companhia, para o período 2016/2020, que está em elaboração e deve ser divulgado em março. "Vamos preparar a companhia para o (petróleo) Brent de US$ 30, de US$ 20 (por barril), não importa. Queremos uma companhia leve e eficiente, com boa estrutura de custos e disciplina de capital."
A Petrobras enfrenta grave crise financeira, provocada por anos de subsídio aos preços dos combustíveis e pelo esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. Com uma dívida de US$ 130 bilhões, a companhia vem cortando custos e investimentos enquanto tenta vender ativos para levantar recursos. "O resultado operacional teve um grande avanço em 2015. A companhia está respondendo muito bem", defendeu o executivo. A reestruturação cortará 30% dos cargos de gerência.


