Curitiba - Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha Loures, a proposta do ex-ministro Delfim Neto de déficit zero representa uma alternativa para reduzir o papel da política monetária (aumento dos juros) no combate à inflação.
Ressalta, porém, que outras medidas também devem ser adotadas como a reformulação do regime de metas inflacionárias. ''O déficit nominal zero é desejável ser associado a outras referências básicas que possam reduzir o endividamento do país e as nocivas taxas de juros'', afirmou.
Rocha Loures defende como medida complementar a alteração no cálculo do núcleo da inflação como a retirada dos produtos sujeitos a choques de oferta, como o petróleo, energia e os gêneros agrícolas. Sem mexer nesse quadro, diz, não há garantia de que a nova proposta possa gerar queda na taxa real de juros.
O mecanismo, segundo o presidente da Fiep, deve servir para gerar uma política fiscal ''contra-cíclica'': ''toda vez que as pressões dos preços conduzirem a um aumento da taxa de juros, o governo, comprometido com a proposta de déficit nominal zero, teria que diminuir gastos para aumentar o superávit primário. Esta contração fiscal permitiria segurar mais as taxas de juros'', explicou. ''Se não houver também a redução da taxa Selic ocorrerá uma grande recessão. Devemos lembrar que a elevação dos juros é inócua sobre uma inflação provocada pelos choques de oferta''. (V.C.)

mockup