Presidente da Caixa diz que é impossível acabar com filas em agências
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sexta-feira, 01 de maio de 2020
Bernardo Caram/Folhapress 
O presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, afirmou nesta sexta-feira (1º) que é impossível acabar com as filas nas agências bancárias durante o período de pagamento do auxílio emergencial de R$ 600.

Segundo ele, o banco está fazendo o possível para reduzir aglomerações e adotou medidas como ampliação de horário de atendimento e contratação de mais funcionários.
Nas últimas semanas, após a liberação do auxílio emergencial a trabalhadores informais, diversas cidades registraram filas, pessoas dormindo em frente às agências, cadastrados se aglomerando, sem respeito ao distanciamento social para evitar contaminação pelo novo coronavírus.
"Sabemos que houve nesta semana uma aglomeração grande. Estamos trabalhando para resolver... Resolver, não. Não há nenhuma possibilidade de se pagar 50 milhões de pessoas em três semanas e não existir fila. Isso não existe. Não vou prometer o que é impossível. O que nós faremos é mitigar, reduzir as filas", disse.
De acordo com o presidente, no primeiro mês de vigência do auxílio, não houve separação dos dias de pagamento a beneficiários do Bolsa Família e outros cadastrados, o que levou a um acúmulo na demanda.
Para este mês, o banco vai anunciar um novo cronograma de pagamentos para evitar essa coincidência de datas. Os repasses da segunda parcela do auxílio, anteriormente previstos para o fim de abril, devem ser iniciados apenas na próxima semana.
Guimarães afirma que muitas pessoas que poderiam resolver pendências pelo aplicativo ou telefone também acabam se deslocando às agências.
Na lista de ações para minimizar esse problema, ele informou que cerca de três mil vigilantes foram contratados para organizar as filas -outros dois mil devem entrar em atividade nesta semana. Também foi reforçado o número de recepcionistas.
Para ampliar o atendimento, 1.600 agências estão abrindo duas horas mais cedo. O banco também colocou agências para funcionar aos sábados.
Guimarães afirmou ainda que a Caixa buscou ajuda de prefeituras para que auxiliem na organização das filas.
SEM PLANO
O governo ainda não definiu se o número de parcelas do auxílio emergencial de R$ 600 pago a informais poderá ser ampliado, afirmou nesta sexta-feira (1º) o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues.
O programa, aprovado pelo Congresso para minimizar os efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre parcela vulnerável da população, prevê o repasse de três parcelas aos beneficiários habilitados.
Em entrevista coletiva, o secretário ressaltou que o custo gerado pelos programas emergenciais será arcado pelo contribuinte.
"Não está desenhado se haverá um aumento de uma nova parcela, não é esse o ponto. Estamos analisando todos os itens, vendo critérios de efetividade e o impacto sobre as contas públicas, impacto de um custo que a sociedade vai arcar, é o contribuinte que arca com esse recurso", afirmou.
Após a aprovação da medida pelo Congresso, o governo previu que o programa alcançaria 54 milhões de pessoas, a um custo de R$ 98 bilhões aos cofres públicos.
Com a ampliação do número de cadastrados, as estimativas foram revistas e o benefício deve chegar a 70 milhões de pessoas.
Na última semana, o governo liberou mais R$ 25,7 bilhões para viabilizar o pagamento de todas os benefícios.
Nesta quinta-feira (30), a Caixa Econômica informou que o auxílio foi disponibilizado, até o momento, para 50 milhões de pessoas -19,2 milhões do Bolsa Família, 10,5 milhões do cadastro único de programas sociais do governo e 20,3 milhões de informais que se cadastraram no site ou no aplicativo da Caixa.


