Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de ''malandros'' os distribuidores e donos de postos gasolina que não repassaram aos consumidores a redução de 6,5% no preço dos combustíveis. A queda nos preços foi anunciada pela Petrobras no dia 30. A expectativa do governo era de que a redução para o consumidor chegasse a pelo menos 5%.
''Não adianta o governo ter boa vontade, se dentro da sociedade existem pessoas que se acham mais espertas que outras para ganhar dinheiro'', disse Lula, durante audiência concedida a mais de 100 usineiros, que foram comunicá-lo do resultado de um acordo firmado em fevereiro.
De acordo com o presidente, na prática, apenas no Sul do país, a redução do preço da gasolina nas bombas chegou a 5%. Já no Centro-Oeste, a queda foi de 4,2%; no Sudeste, de 3,8%; no Norte, de 3,9%, e no Nordeste, de apenas 1,9%.
Lula disse que vai acionar o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para que seja feito um rastreamento no preço da gasolina cobrado pelos postos de combustíveis para diagnosticar o porquê da redução no preço dos combustíveis.
O presidente elogiou a ação dos usineiros que praticaram uma redução entre 21,66% e 26,15% no preço do litro de álcool combustível. Junto com o elogio aos produtores, Lula criticou revendedores e distribuidores de serem ''malandros'' por não deixarem a queda de preço chegar integralmente ao mercado consumidor. ''Não adianta os produtores serem sérios e reduzirem os preços, o governo autorizar a redução, se, na cadeia produtiva, você tem malandro que não deixa a redução chegar na bomba'', disse Lula referindo-se aos donos de postos e distribuidores que não reduziram os preços como o governo esperava.
Segundo o presidente, o governo terá que ser duro para cobrar os acordos firmados com o setor produtivo para garantir a queda de preços ao consumidor final.
O presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Eduardo de Carvalho, que discursou representando os empresários do setor, entregou a Lula um cheque no valor de R$ 1 milhão. O dinheiro será utilizado no Programa Fome Zero, para erradicar a fome a a miséria no País.
Carvalho classificou o encontro com Lula como ''excepcional'' e um exemplo para o Brasil. O próprio presidente da República se referiu ao encontro como ''uma coisa nova, que precisa acontecer no Brasil, para que o país dê um salto de qualidade''.

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