Presidente argentino quer negociar dívida
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quarta-feira, 10 de março de 2004
Agência Estado 
Buenos Aires - Depois de retumbante recuo protagonizado na terça-feira perante as pressões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de diversos governos dos países do Grupo dos Sete (G-7), o governo do presidente Néstor Kirchner perdeu mais uma parte substancial do ar de desafio que teve com o establishment financeiro internacional ao longo dos últimos meses e anunciou ontem que acelerará as negociações da dívida com os credores privados estrangeiros. A Argentina deve aos furiosos credores US$ 88 bilhões em títulos em estado de calote desde dezembro de 2001.
O anúncio foi feito pelo ministro da Economia, Roberto Lavagna, que afirmou que os grupos de credores foram ''convidados'' a participar de uma série de reuniões na capital argentina entre os dias 22 de março e 16 de abril. Desta vez, Lavagna não tinha o sorriso que costumava exibir após embates anteriores com o FMI, os quais havia vencido sempre.
A seu lado, carrancudo, o braço-direito de Kirchner, o chefe do gabinete de ministros Alberto Fernández, afirmou que a expectativa é que a negociação esteja concluída ''a fins de maio ou início de junho''.
Em Washington, a ''vencedora'' da semana, a diretora-gerente interina do FMI, Anne Krueger - famosa por suas ásperas posições sobre a Argentina - anunciou que Kirchner comprometia-se a um estrito cronograma para renegociar a dívida.
Na véspera, ''El Pinguino'' (O Pinguim), como é conhecido o presidente, teve uma dura conversa telefônica com Krueger, depois da qual desistiu dos planos de dar um calote de US$ 3,1 bilhões ao FMI. Em troca, a diretora do Fundo anunciou que anteontem recomendaria à diretoria do organismo a aprovação da segunda revisão das metas econômicas argentinas.
Nos mercados especulava-se que o governo seria empurrado à uma ''revisão'' da ''Proposta de Dubai''. Em setembro passado, nessa cidade, capital dos Emirados Árabes, o ministro Lavagna apresentou uma proposta de redução em 75% do valor nominal da dívida com os credores privados.
Na ocasião, a primeira reação dos credores foi a de qualificar a proposta de Lavagna de ''um absurdo'' e ''uma ofensa''. Depois, pressionaram seus governos para que estes, por seu lado, pressionassem a diretoria do FMI para que esta exigisse da Argentina uma oferta melhor.
Hoje, depois de meses de ''dureza'' por parte do governo Kirchner, seu chefe de gabinete admitiu que embora a redução de 75% não será modificada, a proposta entrará em uma etapa de ''aperfeiçoamento''. Na city financeira portenha, a declaração foi traduzida como ''o governo apresentará em breve uma redução da dívida mais aceitável para o paladar dos credores''.


