Presidenciáveis falam sobre planos para agropecuária
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segunda-feira, 26 de agosto de 2002
Carina Paccola<BR>Reportagem Local 
A ênfase à agricultura familiar bastante propalada pelo candidato a presidente pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva foi criticada por lideranças rurais e agropecuaristas de Londrina que assistiram juntos ao debate promovido pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura) e transmitido ao vivo pelo Canal Rural. O debate foi com quatro candidatos a presidente - Lula, José Serra, Garotinho e Ciro Gomes. Teve início às 14h e terminou às 16h.
Quinze produtores passaram pela sala onde o debate estava sendo transmitido num telão, na Sociedade Rural do Paraná. Ouviram desconfiados as propostas. Afinal disseram como o debate é com a CNA, todos os candidatos falaram da importância da agricultura para o País.
Os agropecuaristas se disseram surpresos com o conhecimento de Garotinho, candidato do PSB, sobre agricultura.
Entre as propostas de Garotinho está o aumento do crédito agrícola de R$ 26 bilhões para R$ 35 bilhões em 2003.
Toda vez que Lula tocava na agricultura familiar, ouvia-se comentários desfavoráveis. ''Ele conceitua isso sob uma ótica poética para manter o agricultor no campo, mas não fala muito claramente como fazer isso nessa extrema diversidade que é o Brasil'', disse o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Luiz Fernando Almeida Kalinowski.
O diretor da Sociedade Rural do Paraná, Sérgio Bastos, também critica a proposta de Lula. ''Agricultura familiar só se for para hortaliça, mas não para exportar. Hoje quem segura a balança comercial é a agricultura.''
Eles disseram que Lula não os assusta. ''Eles fazem o discurso de acordo com o público que está ouvindo'', criticou Bastos. ''Eles estavam com líderes da agricultura brasileira, rasgaram seda ao setor e aproveitaram para criticar as falhas do governo'', disse Kalinowski. Para ele, Serra foi quem se saiu melhor em termos de macroeconomia. ''Foi o único, por exemplo, que falou que tem como meta aumentar os investimentos em pesquisa de 1,3% para 2,3% do PIB da agricultura.''
Para o produtor Paulo Tadeu Marcondes, também diretor do Sindicato Rural, os candidatos têm pouca vinculação com a agropecuária brasileira. ''Eles conhecem os problemas, têm uma equipe boa de trabalho, mas não são agricultores. O Garotinho é o único que tem mais vivência.''
O agropecuarista Vicente Martins Neto, que tem propriedade em Londrina e em Tocantis, resume: ''Eles são mais ou menos iguais. Ninguém é contra a agropecuária. Todos apostam firme na agricutura como solução para a geração de empregos. Eu ficaria feliz se eles implementarem metade do que prometeram.''


