São Paulo - "Não há um ambiente de muita felicidade no agronegócio brasileiro nos últimos governos. É preciso entender que o nosso segmento é o grande negócio do País". Com essa declaração o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa de Carvalho, mostrou ontem, durante o 13º Congresso da entidade realizado em São Paulo, a importância da implementação de políticas agrícolas mais eficientes para o segmento.
Não por acaso, o Congresso da Abag - que reuniu centenas de representantes de entidades, políticos, candidatos e líderes do setor – teve como tema central o "Agronegócio Brasileiro: Valorização e Protagonismo", com um painel apresentando as propostas dos três primeiros colocados à Presidência da República do País. Através de vídeos, eles expuseram as ideias que planejam colocar em prática em caso de vitória e que foram baseadas numa proposta elaborada por diversas entidades setoriais e coordenada pela Abag, intitulada Agronegócio Brasileiro 2014-2022 – Proposta de Plano de Ação aos Presidenciáveis.
Entre as necessidades, as entidades exigem maior oferta de crédito e financiamento para investimento e capital de giro; desenvolvimento de mecanismos de seguro contra quebra de produção e queda acentuada de preços; uma atuação mais agressiva na celebração de acordos comerciais internacionais; desoneração tributária e ampliação da malha de infraestrutura de transporte e logística. O estudo preconiza também maior segurança jurídica, capaz de garantir o direito de propriedade privada e, em decorrência, criar um ambiente favorável a investimentos e de incentivo ao empreendedorismo. Isso significa simplificar e aplicar a legislação agrária, ambiental e trabalhista, com base em critérios técnicos, condizentes com as características do agronegócio.
Durante a palestra de abertura inicial, a economia brasileira foi analisada pelo pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, Samuel Pessoa. "O crescimento do governo Dilma é menor comparado ao de Lula e FHC. Este ano a estimativa é fechar com o PIB em 0,6%, enquanto a indústria recuará 0,2% e o agronegócio em alta de 2,3%. Por fim, a estimativa da inflação é fechar em 6,5%. Mais uma vez, vamos continuar crescendo graças à sustentação do agronegócio", analisou ele.
O economista aproveitou, devido ao clima do congresso frente as eleições, para fazer análises em relação ao governo em caso de mudança ou não na presidência. "Se houver uma transição, acredito que o PIB volte a crescer em torno de 2,5% a 3% em três anos, partindo de uma reconstituição da política econômica. Já se não acontecer uma mudança, creio que a presidente trabalhará com recomposição das políticas públicas e superavit primário, além de estratégias para segurar a inflação", ressaltou.

Recapitulação
Em meio a tantas pautas e discussões para o agronegócio brasileiro, o ministro do Agricultura, Neri Geller, participou da abertura do Congresso da Abag e destacou diversos pontos em que o governo federal está atuando. "Trabalhamos pela abertura do mercado de carne bovina, em ágeis sistemas de biossegurança, disponibilizamos R$ 700 milhões em seguro rural no ano passado e estamos atuando forte para que a iniciativa privada participe diretamente na melhoria da logística do País, principalmente dos portos e modernização de rodovias", concluiu ele.
O jornalista viajou para São Paulo a convite do evento.

Imagem ilustrativa da imagem Presidenciáveis apresentam propostas para o agronegócio