Preservativo made in Paraná
Preservativo made in Paraná
Sérgio Henrique Schmitt
Refletindo sobre o momento industrial paranista e levando em conta a sua vocação agrícola, o pensamento nestas calorentas e pré-carnavalescas noites, corre leve e solto flutuando tal como balão de hélio ao vento. Balão...bexiga... e a pergunta: como gerar oportunidades às futuras gerações? Dentre as idéias, uma delas é a de sugerir aos empresários e aos governantes - estadual e municipal - a instalação de uma grande fábrica de camisinha no Paraná! E por que não?
Hoje em dia os adolescentes, inclusive meus filhos, estão definitivamente cerceados do preceito bíblico crescei-vos, amai-vos e multiplicai-vos in natura ... (e cá prá nós, será que as gerações passadas tiveram tal liberdade?) porque sabem que no rala e rola da paixão humana o ato sexual só pode acontecer com o uso do preservativo, senão a trágica presença da AIDS coloca em risco as suas vidas.
Foi daí que aportei na questão da borracha natural, matéria-prima da camisinha, obtida dos seringais paranaenses. Verifiquei pela Internet, na home page do IAPAR, que as regiões do Noroeste e Litoral do Estado apresentam grande potencial de expansão de heveicultura, com perspectiva de integrar 70 municípios, ocupar 7 mil hectares, envolver 1.750 propriedades rurais, empregar indiretamente na agricultura 6 mil trabalhadores e produzir 10 mil toneladas de borracha seca/ano,suficientes para movimentar até 5 usinas de médio porte e matéria prima para implantar de 150 a 200 indústrias de artefatos leves, gerando riqueza em todos os elos da cadeia (produtiva) no Paraná.
Pensando em garantir um melhor cenário às futuras gerações é que dou a sugestão de instalação da indústria de camisinhas no nosso Estado, porque esta atividade é ambientalista e correta e economicamente globalizada. O cultivo da seringueira é puro ato preservacionista e permite ainda a produção intercalar de outras lavouras, incentiva a diversificação no campo, ocupa a mão-de-obra rural, agrega o valor ao produto agrícola e possibilita o reaproveitamento nobre da madeira obtida pelo reflorestamento.
A indústria, além de economizar pela aproximação com a fonte fornecedora do látex, oxigena a economia porque: dá a oportunidade de emprego urbano; consolida o pólo industrial nacional, de pneumáticos à farmacológicos; alavanca o conhecimento acadêmico e o domínio tecnológico e incrementa a receita governamental pelos impostos. Finalmente, um de seus produtos finais, a camisinha, protege a vida.
Que a idéia da agroindustrialização da borracha natural penetre na mente dos que decidem, materializando assim mais oportunidades de emprego e renda. E que o preservativo made in Paraná contribua na proteção sexual da população brasileira e no fortalecimento econômico do povo paranaense.
- SÉRGIO HENRIQUE SCHMITT é jornalista, especialista em Comunicação e Marketing da Emater-Paraná.





