Presentear as mães é um desejo de 81% dos paranaenses, segundo pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio/PR). No entanto, qualquer agrado pode sair caro, já que sobre os produtos preferidos para a data incidem altas cargas tributárias. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), desde o buquê de flores, até o perfume importado, o peso dos impostos no preço final varia de 17,71% até 78,43%. Roupas e eletrônicos têm cargas tributárias que giram em torno de 30%.
O presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike, explica que a política de tributação brasileira segue o princípio da essencialidade, ou seja, produtos considerados supérfluos recebem taxações maiores. "Aqueles produtos que não são essenciais têm que ter uma carga maior para desestimular o consumo pela classe mais baixa, como artigos de luxo e bebidas", diz.
Dentre os tributos que podem incidir sobre os presentes das mamães estão os impostos sobre consumo como Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto Sobre Serviços (ISS), Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), impostos sobre a renda ou lucro como Contribuição Social e Imposto de Renda, além das contribuições previdenciárias como Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e Fundo de Garantia (FGTS).
Para Olenike, o grande problema no Brasil é o efeito cascata da tributação, que começa na extração da mão de obra e segue até o varejista. "O consumidor final não tem para quem repassar", ressalta. O presidente do IBPT defende um modelo de tributação mais justo para consumidor e empresário, em que os impostos incidiriam sobre a renda, lucro e patrimônio. "Dessa forma que está sendo feita, a empresa paga mesmo tendo prejuízo", afirma.

Variedade
O levantamento do IBPT reúne diversos produtos que podem agradar as mães, mas possuem uma elevada incidência de tributos, como as jóias, com carga tributária de 50,44%; os óculos de sol, com 44,18%; a bolsa de couro, com 41,52%; e o aparelho celular, com 33,08% de impostos. Os artigos de vestuário, preferidos como presentes pelos paranaenses, segundo a Fecomércio, também têm cargas tributárias altas, como calças de tecido (34,67%), calças de couro (39,80%) e calças jeans (38,53%).
Nos perfumes, também citados pelos paranaenses, a tributação chega a 69,13% se ele for nacional e 78,43% se for importado. O tradicional almoço fora para comemorar a data também fica mais pesado com os 32,31% de impostos. Para quem preferir presentear com um singelo buquê de flores, pagará a menor carga aferida no levantamento, mas que chega a 17,71%.

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