Presentes mais baratos devem ser preferência no Dia das Mães
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segunda-feira, 20 de abril de 2015
Cecília França<br>Reportagem Local 
A segunda melhor data comemorativa para o comércio deve deixar a desejar este ano. Depois da Páscoa, que registrou queda de 0,3% nas vendas, segundo balanço da Boa Vista SPC, o varejo espera que o Dia das Mães também seja morno. Neste cenário, itens mais baratos, como roupas, sapatos e acessórios, devem ter melhor desempenho que eletrônicos, eletrodomésticos e perfumes importados. A previsão é da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (FecomercioSP).
Inflação, juros altos, incertezas no mercado de trabalho, redução no crédito e anúncios de medidas recessivas são fatores que devem interferir na escolha do presente. Marcos Rambalducci, economista da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) acredita em uma repetição do faturamento de 2014 durante a data, mesmo que o número de itens vendidos aumente.
Na análise dele, os produtos de origem importada devem sofrer as maiores quedas, em função da valorização do dólar, que se mantém acima dos R$ 3. Neste contexto, Rambalducci vê uma oportunidade para produtos nacionais ocuparem maior espaço no mercado.
"Vamos supor que 70% das pessoas comprassem produtos nacionais, agora vai aumentar para 90%; essa vai ser a tônica", acredita. João Carlos Basilio, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), afirma não ter otimismo nem para o Dia das Mães nem para as outras datas comemorativas em 2015.
"A partir de maio, já vai estar vigorando o aumento da carga tributária no nosso setor. E tem a recente alta do dólar, com impacto direto sobre os nossos insumos e repasse ao consumidor", relembra. Já o diretor da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), Sidnei Abreu, aposta em crescimento, ainda que tímido, nas vendas do setor.
"Não dá para apostar em crescimento absurdo, mas essa é a segunda data mais importante. Esperamos um Dia das Mães bom, a despeito desse ambiente econômico", declara. Luciana Arasaki, gerente da Lumi Modas, loja de roupas em Londrina, diz que a expectativa é que a data venha recuperar as perdas de abril. Ela acredita que, além da crise, os impostos a pagar e até mesmo a ExpoLondrina estejam influenciando o mau desempenho do varejo neste mês. "Chegou IPVA, DPVAT, o pessoal guardou dinheiro para a exposição; e por causa da crise as pessoas estão segurando, com medo de gastar", defende.
Cleise Érica dos Santos, gerente da Bolivar Calçados, conta que o fluxo de pessoas na loja está menor, em função da insegurança em relação aos cenários político e econômico. "Está todo mundo analisando se compra ou não", diz. Para o Dia das Mães, no entanto, a gerente aposta em recuperação e em crescimento, ainda que pequeno, frente a 2014. "Temos outro fator que pode influenciar de forma positiva para a gente: se tiver uma queda de temperatura. Nós trabalhamos muito com botas nessa época, normalmente é a vedete do Dia das Mães", conta.
Maria Cardoso, gerente de uma loja da rede O Boticário em Londrina, acredita na diversidade de preços e produtos para crescer entre 6% e 8% este ano. A loja também é beneficiada pela intensa campanha publicitária nacional, que puxa as vendas até 20 dias antes da data.
"A gente tem estojos entre R$ 15,99 e R$ 209; além disso, podemos montar na hora, dentro da possibilidade financeira do cliente", relata. Mesmo cauteloso, o setor de eletrodomésticos e móveis espera que a data represente uma recuperação de vendas este ano. "O Dia das Mães é quando as pessoas gastam mesmo; esperamos que recupere o mês de abril", declara a gerente interina da Darom, Sandra Severino. (Com agências)


