Josoé de CarvalhoCompras adiadasVitrines decoradas para a data não atraem a atenção dos consumidores: movimento deve crescer na quinta, quando os salários serão pagosO aumento do desemprego deve prejudicar o movimento do comércio nesse Dia das Mães, comemorado no próximo domingo. Descapitalizados, alguns filhos inovam no presente para agradar a mãe sem comprometer o saldo bancário. Presentes úteis com preços razoáveis, como um corte de cabelo ou um filtro de água para a casa, por exemplo, já entram na programação de alguns filhos ouvidos pela Folha.
A uma semana da data - tradicionalmente a segunda melhor em faturamento no comércio, considerada o ‘segundo Natal’ do varejo - o Calçadão de Londrina ainda não mostra a corrida às compras que se vê às vésperas do Dia das Mães. Os comerciantes esperam que as vendas melhorem a partir de quinta-feira, quando o trabalhador recebe o salário de abril. Poucos consumidores anteciparam a pesquisa de preços.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Abílio Medeiros, acredita que as vendas deste Dia das Mães devem ser iguais as do ano passado. Ele prevê que a inadimplência e o desemprego vão ter reflexo no desempenho do comércio. ‘‘Mas dificilmente os filhos vão deixar de presentear suas mães, optando por produtos mais baratos’’, afirma.
Josoé de CarvalhoNa base do crediárioMarloni Gimenes pesquisou preços mas só vai comprar depois de quinta-feira. ‘‘Se não tiver dinheiro para comprar à vista, recorro ao parcelamento’’
A balconista Elaine de Souza confirma as previsões do empresário. Ela encontrou uma forma prática para homenagear sua mãe: vai oferecer um corte de cabelo. ‘‘Ela está precisando ir ao cabeleireiro mas está sem dinheiro. É um presente que vai deixar minha mãe mais bonita’’, disse Elaine, que espera gastar R$ 15 no salão de beleza. O office boy Everson de Castro também resolveu lançar mão de um presente útil e que vai servir a toda a família. Vai dar à mãe um filtro de água de R$ 17. Ele conta que o filtro de sua casa quebrou há 4 meses e a mãe vive reclamando de não ter podido comprar um novo. ‘‘Ela vai gostar’’.
Já Alessandra Janene prefere os presentes de uso pessoal. Ela fez uma boa pesquisa de preços e aprovou os preços das confecções. ‘‘Estão mais baratas do que no ano passado’’, disse. Ana Karina Peixoto, que pesquisava preços na tarde de quinta-feira, também decidiu manter a tradição de dar roupa para a sua mãe. ‘‘Como toda mulher, ela gosta de se vestir bem. Pretendo comprar uma saia de R$ 40. O Dia das Mães é só uma vez por ano, não dá para economizar’’.
A consumidora Marloni Gimenes também já procurava, nas lojas de confecções, o presente deste ano. ‘‘O ideal é dar uma roupa de inverno para ela poder aproveitar mais’’, disse Marloni, que só compraria o presente depois de receber o salário, na quinta-feira. ‘‘Não penso muito no preço. Se não puder pagar à vista, recorro ao parcelamento’’.
Essa é uma alternativa que a doméstica Maria de Nazaré Oliveira nem cogita. No ano passado ela caprichou no presente e deu uma geladeira à mãe, parcelando a dívida em seis vezes. ‘‘Paguei as prestações até o final do ano. Agora, só vou poder dar uma lembrancinha. Ganho dois salários e com esse aumento do mínimo, para só R$ 130, não vai sobrar mais que R$ 20 para o presente’’, disse. ‘‘Não vou mais entrar em prestação porque os juros estão muito altos. Prefiro juntar dinheiro e comprar à vista’’.

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