Presente terá preço médio de R$ 20
Agência Estado
De São Paulo
Os parentes e amigos que tratem de se conformar: este ano o presente de Natal fica na média dos R$ 20, e olhe lá. É a reprise do aperto do ano passado, mas com menos dinheiro disponível para manifestações de generosidade. Em 98, o presente médio foi de R$ 20 e continua por aí. Este ano os salários estão iguais, mas as despesas aumentaram, avalia Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.
Szajman prevê vendas de 5% a 10% superiores às do Natal de 98 para o comércio, com a ajuda dos reajustes salariais recebidos neste final de ano por categorias como a dos metalúrgicos.
Como na Semana da Criança, a indústria está abastecendo os shopping centers com lançamentos de valor mais baixo. Estamos prevendo 10% de crescimento em número de peças e só 5% em faturamento, diz Nabil Sahyon, presidente da Abralshop, associação que reúne lojistas de shoppings. Segundo dados da Abralshop, o trabalhador brasileiro compra 12 presentes de Natal, em média. O americano adquire 22. Em shoppings em que o poder aquisitivo da clientela é maior, o valor médio do presente sobe.
Carla Sabato, gerente de marketing do Shopping Ibirapuera (zona sul de São Paulo), espera presentes na média dos R$ 30, com predominância de objetos místicos, ligados à virada do ano 2000.
Entre os místicos, os destinados a dar mais harmonia às casas estão tendo a preferência dos clientes da Alemdalenda, com 32 lojas no país e produtos que vão de R$ 1 (incenso) a R$ 400 (fontes). Vamos vender 30% mais este ano, diz Heloisa Galves, sócia.
Roupa para corpo, cama, mesa e banho, chamariz dos magazines, vai ganhar apoio de uma campanha da indústria têxtil, que quer mostrar que com R$ 10 a R$ 15 se compra peças de qualidade.
Nos supermercados, os têxteis vão concorrer com as bebidas quentes nacionais champanhes, vinhos e sidras, na faixa dos R$ 10. Pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados detectou que 64% dos fabricantes do setor vão aumentar a produção para o Natal.
O que poderá fazer o presentinho virar um presentão será um novo corte dos juros. A rigor, as taxas atuais já seriam convidativas, avalia Marcel Solimeo, da Associação Comercial de São Paulo.
No crédito direto ao consumidor, os juros estão entre 3% e 6% ao mês, dependendo do produto e do prazo de pagamento, hoje na média de oito meses. Esses 3% são a menor taxa do Plano Real para o varejo. Em 98, a mínima era de 5% ao mês, diz Solimeo.
Nos cálculos de José Humberto Pires de Araújo, presidente da Abras, as vendas de champanhes e vinhos nacionais vão crescer 15%, as de chocolates e aves aumentarão 10%, enquanto as de importados em geral brinquedos, frutas secas, bacalhau, conservas e bebidas- diminuirão 20% em relação às do Natal de 98.
As vendas do setor, que acumulam queda de 2,6% até setembro, devem ter uma leve recuperação. Mas a previsão é fechar 99 com queda de 1,5% sobre os R$ 55,5 bilhões faturados pelos supermercados em 98.





