Presa quadrilha de sonegadores
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quinta-feira, 04 de março de 2004
Nicola Pamplona e Fausto Macedo<br>Agência Estado 
São Paulo- A Polícia Federal prendeu ontem uma quadrilha que sonegava impostos na venda de combustíveis. Segundo a PF, o grupo era chefiado pelo empresário Antônio Carlos Chebabe, da cidade de Campos, região norte fluminense, e tinha entre seus integrantes um fiscal da Agência Nacional de Petróleo (ANP), além de policiais civis e policiais rodoviários federais.
Quinze pessoas foram detidas por ordem judicial, em uma ação coordenada da PF no RJ, em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Distrito Federal. O grupo movimentava entre 25 e 30 milhões de litros de gasolina e diesel por mês e ganhava com a sonegação de impostos em operações interestaduais de compra e venda de combustíveis. Os envolvidos são acusados de sonegação de impostos, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.
Segundo a PF, uma devassa no Banco Safra indicou que Chebabe teria feito diversas remessas de recursos para o Uruguai e paraísos fiscais como as Ilhas Virgens, no Caribe, e as Ilhas Cayman, território britânico. A polícia não soube estimar qual o volume sonegado.
''Foi uma operação de êxito, porque conseguimos cumprir todos os mandados de prisão e de apreensão e levantamos uma série de documentos que poderão comprovar as denúncias'', disse o assessor da diretoria-geral da Polícia Federal, Reinaldo de Almeida César. Entre os detidos, estão a filha, a neta e o genro de Chebabe. O empresário foi preso em seu apartamento, em um luxuoso prédio na cidade de Campos.
Antônio César Leite Gondim e José Olavo de Oliveira Pinto, da Polícia Rodoviária Federal, e João Francisco Ribeiro Gomes, da Polícia Civil, também faziam parte do esquema, segundo César.
Chebabe é conhecido empresário da região norte fluminense, com negócios nas áreas de transportes, alimentos e pneus, entre outros. Sua distribuidora de combustíveis, a Chebabe Distribuidora de Petróleo S.A., foi criada em 1994 e chegou a ser interditada pela ANP em 1999, mas retomou a autorização para operar. A PF investiga ainda se a quadrilha fazia adulteração de combustíveis. Segundo executivos do setor, as atividades ilegais da empresa já eram conhecidas no mercado, assim como a participação do fiscal da ANP.


