Prepare-se para driblar inflação que vem por aí
Com as valorizações diárias do dólar, que subiu 6,15% só na sexta-feira e acumula alta superior a 60%, qualquer projeção de inflação para este ano perde sua lógica. Os economistas estão fazendo estimativas com a hipótese de que a cotação do dólar em R$ 2,07 na sexta-feira está exagerada e o preço da moeda norte-americana deve estabilizar-se em torno de R$ 1,57, com um ajuste de 30%. Para essa hipótese, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) projeta inflação para este ano de 8%. Muitos economistas, no entanto, estão trabalhando com uma expectativa mais elástica, de até 10%.
No cenário atual, a sensação que se tem é que o preço de tudo está aumentando ou vai aumentar. Produtos importados, pagos em dólar, são os primeiros da fila; depois estão os que têm componentes importados, como pão, biscoitos e macarrão, cujo item principal é a farinha, fabricada com o trigo importado. E até produtos que são exportados, como frango, café, açúcar e suco de laranja, podem subir no mercado interno, porque os preços são cotados em dólar. Ou seja, pode ser mais interessante para o produtor vender esses itens lá fora, mesmo à custa do desabastecimento no mercado interno.
A partir de hoje, há ainda outra pressão sobre os preços. As empresas vão pagar uma alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) mais alta, que pulou de 2% para 3%.
O difícil é avaliar quanto será o aumento de cada produto, na medida certa que não cause prejuízo ao fornecedor nem seja rejeitado pelo consumidor. Os supermercados entraram na briga para conseguir bons preços dos fornecedores. O setor sabe que o consumidor está atento e vai cortar o que considerar supérfluo no orçamento.
Marcos Silvestre, economista-chefe da Forex - Centro Brasileiro de Orientação de Finanças Pessoais, que também trabalha com uma projeção de 10% para a inflação deste ano, diz que a alta não atinge todos os consumidores da mesma forma. Ele explica que para a classe média alta a inflação anual pode superar esses 10%, em razão do consumo maior de produtos importados, como caviar, chocolates, carros, etc. E pode ser menor do que esses 10% para a classe média média e média baixa, que vão ficar mais ligadas no enxugamento do orçamento, substituindo os produtos de marcas mais caras pelos similares mais baratos.
Denúncias contra aumentos abusivos nos preços podem ser feitas pelo telefone 0800-551130. A ligação é gratuita. Se preferir, o consumidor pode fazer a denúncia por meio do fax 011-223-0066. Nesse caso, deve enviar a nota fiscal com o preço do produto. A denúncia será investigada pelos fiscais do SDE.





