Preocupados com a dívida pública
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Qualquer decisão na área econômica tem efeitos colaterais indesejáveis. O difícil é encontrar o ponto de equilíbrio. A taxa básica de juros no País a Selic é um bom exemplo disso. Dentro do receituário ortodoxo, sua alta é importante como único mecanismo de controle da inflação. O principal efeito colateral é o aumento da dívida pública.
O economista Azenil Staviski está muito preocupado com este tema. "Nossa dívida pública chegou a 58% do PIB e é alta demais para os padrões brasileiros", afirma. Ele ressalta que os Estados Unidos têm um endividamento de mais de 100% do PIB. Mas que são situações muito diferentes. "A qualidade da nossa dívida é bem inferior. A taxa de juros lá é de 3% e a daqui é de 11%", salienta.
A dívida pública líquida no Brasil está próxima de R$ 2 trilhões. E, segundo Staviski, há quem calcule que os juros anuais incidentes sobre ela são de 17%, ou seja, 6 pontos porcentuais acima da Selic. "Isso é por causa do passivo que o Banco Central carrega referente às reservas cambiais e ao endividamento das estatais", afirma.
Como o Brasil relaxou no superavit primário e não vem pagando integralmente os juros, a dívida aumenta ano a ano. Os juros não pagos são incorporados ao valor principal. Staviski calcula que um superavit de 4% - bem acima do 1,9% de 2013 ainda não seria suficiente para segurar a dívida pública. "Os 17% de
R$ 2 trilhões representam R$ 340 bilhões por ano. Mesmo que economizássemos 4% do PIB (R$ 193 bilhões), essa economia não cobre o custo da dívida", declara.
Se quando alta a Selic provoca o aumento da dívida, quando baixa repele investimentos externos. O economista Márcio Massaro explica: "Primeiramente, nossos juros têm de ser maiores que o dos Estados Unidos para atrairmos investimentos. Também têm de cobrir a inflação e a taxa de risco do País", ressalta. (N.B.)





