''Cooperativa que tem dono não funciona.'' A declaração de Ibrahin João Elias, representante da Mondragon Corporação Cooperativa no Brasil, sintetiza a fórmula de sucesso do grupo que nasceu da iniciativa de cinco pessoas, em 1956, para se tornar o sétimo maior grupo econômico da Espanha, com faturamento de 10 bilhões de euros só no ano passado.
Elias apresentou a palestra ''Um modelo gerador de riqueza para o cooperado'' no 18º Encontro dos Comitês Educativos do Sistema Unimed, ontem pela manhã, em Londrina. Bem humorado, o empresário discordou do título atribuído à própria palestra. ''Nossa preocupação não é criar milionários, mas gerar riqueza para criar empregos'', disse à reportagem. A explicação, que soa idealista, norteia a postura adotada pela Mondragon em relação aos quase 42 mil cooperados do grupo no mundo, distribuídos em 168 empresas.
No Brasil, a corporação que atua nos setores financeiro, industrial e de distribuição instalou quatro plantas de produção nos últimos anos, sendo três no Estado de São Paulo e uma em Minas Gerais. As unidades ainda não funcionam como cooperativas, nos moldes europeus, mas como sociedades anônimas. ''As experiências de cooperativismo ainda são muito localizadas no Brasil, a Mondragon é mais conhecida na Colômbia do que aqui'', destaca.
As experiências brasileiras não se assemelham ao conceito de cooperativa da Mondragon, diz Elias, em tom crítico. ''O grosso das cooperativas agrícolas são centrais de prestação de serviço. Para seguir o nosso conceito, as fazendas teriam que pertencer a todos os cooperados'', afirma, para completar: ''A mentalidade brasileira ainda é muito 'CLT' (Consolidação das Leis de Trabalho). O nosso cooperado precisa saber que há algo diferente do que se pratica aqui.''
Elias esclarece que, na Mondragon, todos os trabalhadores são sócios - não apenas na teoria. ''Se todo mundo é dono da empresa e vota igual, porque vai aceitar a hierarquia funcional? Os trabalhadores são os donos dos meios de produção. Não pode socializar o prejuízo e privatizar o lucro. Nós trabalhamos em cima da satisfação pessoal'', conclui.(V.N.)

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