A 29ª Sondagem Industrial 2024-2025, divulgada nesta quinta-feira (20) pela Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), confirmou o aumento da preocupação do industrial paranaense com as políticas econômicas do país. De acordo com a pesquisa, 43% dos empresários do setor acreditam que haverá retração em 2025. Destes, 10% estão entre os mais pessimistas, que esperam uma forte retração.

Apenas 1% dos entrevistados pela pesquisa acreditam em forte crescimento para este ano. Os que apostam em crescimento são 23%. Já 33% dos industriais acham que a economia do país deve ficar estável. Entre os fatores que influenciaram as respostas, 60% citaram a política nacional, 25% a economia nacional, 8% a geopolítica mundial, e 7% a economia internacional.

Já a expectativa em relação ao seu próprio negócio é mais positiva entre os empresários do setor: 61% se dizem otimistas, sendo que 7% estão no subgrupo dos muito otimistas. O grupo dos pessimistas é de 8%, sendo 1% os mais extremos. Por fim, 30% dos entrevistados optaram pela neutralidade ao responder o questionário.

O maior otimismo se dá em relação às vendas, produtividade e conquista de novos mercados. Já a maior preocupação do empresário industrial quando o assunto é o desempenho é com os custos totais de produção, mão de obra, insumos e matérias-primas, e energia.

O cenário de incertezas e a dificuldade de acesso ao crédito também contribuem para um olhar mais conservador em relação a investimentos. Praticamente quatro em cada 10 dos entrevistados disseram que pretendem investir menos do que no ano passado ou não investir.

Por outro lado, 32% planejam ampliar os investimentos, sendo que 5% responderam que vão investir muito mais que em 2024. As prioridades de investimento serão a melhoria de processos, produtos ou serviços; redução de custo de produção, prospecção de mercados e ampliação da capacidade produtiva.

Um dado sintomático da pesquisa, segundo o presidente da Fiep, Edson Vasconcelos, é que a principal fonte de recursos para os investimentos são os próprios. “Isso expõe a dificuldade do acesso ao crédito no país. A alta taxa de juros torna proibitivo esse acesso, o que leva o empresário a desenvolver seus negócios com recursos próprios”, critica. “E quando o empresário vai buscar financiamento facilitado, não encontra. Como é o caso do Finep e do BNDES, que estão com linhas de crédito esgotadas ou quase no fim para o primeiro trimestre do ano”, expõe.

TENSÃO GLOBAL

Durante coletiva de imprensa, Vasconcelos também comentou sobre a tensão mundial que impõe desafios à indústria brasileira, mas que também abre oportunidades. Segundo ele, os Estados Unidos "acordou" ao se dar conta da importância da indústria para a economia de um país. "Os americanos estão percebendo o prejuízo que tiveram ao deixar a indústria em segundo plano. Neste período, eles viram a China crescer muito. Agora estão retomando a força do setor fundamental para trazer recursos e oxigenar o comércio e os serviços", considera.

Diante da possibilidade de taxações, ele admite que há um receio na indústria brasileira, mas também enxerga possibilidades de crescimento, inclusive para a indústria paranaense. "A disputa dos EUA com a China pode nos trazer benefícios, em parcerias, principalmente joy ventures. Queremos abrir mercado para a indústria paranaense, e um meio para isso quando não temos acesso ao crédito é por meio de parcerias, de transferência de tecnologia", defende.

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