Agricultura é a base da economia de Campo Mourão e, por isso, a perspectiva de um ano mais fraco para a agricultura preocupa vários setores. O de máquinas agrícolas vende menos do que gostaria para este período do ano, quando os agricultores estão se preparando ou iniciando o plantio da safra 98/99.
O gerente-geral de vendas da Comasa, uma das maiores concessionárias de máquinas agrícolas na cidade, José Luiz Lorenzi, disse que vendeu em agosto apenas três tratores e três colheitadeiras, menos da metade do que no mesmo mês de 97. Segundo ele, a redução nas vendas é reflexo dos preços agrícolas mais baixos este ano, que deixaram os compradores ‘‘arredios’’.
No comércio varejista da cidade, a perspectiva de preços menores dos produtos agrícolas também é preocupante à medida que desestimula o consumo. O vice-presidente da Associação e Industrial de Campo Mourão, Oscar Gonçalves, disse que as vendas do setor recuaram este ano e um dos motivos foi a alta dos juros. ‘‘Com os juros altos, o agricultor não consegue baixar o custo e acaba comprando menos’’.
Segundo Gonçalves, a inadimplência também cresceu na cidade e hoje é três vezes maior que os cerca de 5% suportáveis.
Para o prefeito de Campo Mourão, Tauillo Tezelli, o agricultor deverá ser mais cauteloso na próxima safra por causa da expectativa de preços mais baixos, mas não deixará de comprar mesmo que perca rentabilidade. No entanto, o fato de a economia da cidade estar tão ligada à atividade agrícola preocupa Tezelli, por isso foi implantado na cidade um programa de incentivo às empresas para que ampliem a oferta de emprego.
O programa prevê incentivos como isenção de impostos, doação de terrenos para ampliação da atividade e treinamento dos profissionais. Campo Mourão tem atualmente cerca de 85 mil habitantes e cerca de três mil desempregados, formados principalmente por ex-agricultores e migrantes de cidades menores, de acordo com Tezelli.

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