São Paulo - Os preços do etanol avançado nos Estados Unidos apresentam, atualmente, um prêmio sobre a cotação do etanol comum de milho, o que tem aberto uma janela de exportação para o produto brasileiro. O etanol brasileiro de cana-de-açúcar é considerado um combustível renovável avançado no mercado norte-americano e sua atual escassez criou este prêmio sobre o preço do produto de milho, que chegou a US$ 0,80 por litro.
''Mesmo com o imposto de importação vigente nos Estados Unidos, importar o etanol de cana do Brasil é mais barato'', explicou o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank. Ele apontou que situações como esta, de um cenário externo favorável para a exportação, pode levar a um aumento nas exportações de etanol se ocorrer durante a entressafra. ''Um mecanismo que garantisse contratos antecipados de etanol levaria a garantia de que apenas o etanol excedente, sem contratos, seria exportado'', disse.
O executivo afirmou que o grande mercado de etanol brasileiro continua sendo o mercado interno de combustíveis. A expectativa é de que os carros flex atinjam 50% da frota brasileira até o final do ano e alcancem os 86% até 2020. ''Os mercados de produtos químicos e o mercado externo ainda são potenciais que precisam ser desenvolvidos. Hoje praticamente não existem'', disse ele. De acordo com dados da Unica, do total de etanol produzido pela entidade, 89% do etanol tem destino carburante, 4% é destinado a outros fins e 7% é exportado.
Segundo Jank, nas últimas três safras os melhores preços do açúcar provocaram uma migração de apenas 5% do etanol para o açúcar. ''Esta migração não foi o motivo da menor oferta de etanol na última entressafra. O problema é o menor investimento em cana. Desde a crise, o menor crescimento da oferta de cana fez com que 11 bilhões de litros de etanol não chegassem ao mercado'', disse. Jank referiu-se ao fato de que, entre 2000 e 2008, a oferta de cana cresceu a um ritmo de 10,4% ao ano enquanto nos últimos anos este crescimento recuou para 3% ao ano.
Açúcar
A expectativa é de que o consumo de açúcar no mundo continue crescendo no curto prazo, principalmente nos países em desenvolvimento. ''Estes países mais pobres estão tendo mais acesso a coisas simples para nós, como a sobremesa. O fato de os consumidores terem dinheiro para tomar sorvete está fazendo com que o consumo de açúcar cresça nestas regiões, ao contrário do que acontece nos países desenvolvidos, onde os alimentos diet tem limitado este crescimento'', disse ele. Segundo a Unica, o consumo de açúcar tem crescido a uma taxa de 2,3% ao ano no mundo, sendo 0,3% ao ano nos países desenvolvidos e 4,2% ao ano nos países em desenvolvimento.

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