O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, alertou que se o Estado recuar agora terá prejuízos irreversíveis à frente e novo processo de reconhecimento internacional, que só poderá ser iniciado a partir de 2020. Ele ressaltou os benefícios para o Estado, com a consolidação de vários investimentos da iniciativa privada. Na avaliação de Ortigara, houve avanços importantes no entendimento das entidades que representam produtores e cooperativas. Há preocupação por parte de algumas sociedades rurais e de parte do Sindicato da Indústria de Carnes (Sindicarnes) em relação ao fechamento de fronteiras. "O problema se restringe a administrar as exceções que vão permitir o trânsito de cargas com animais e produtos", disse o secretário.
De acordo com a Seab, só as cooperativas planejam desengavetar investimentos da ordem de R$ 1,35 bilhão, sendo R$ 700 milhões em frigoríficos de abate de suínos, R$ 500 milhões em frigoríficos de abate de aves e R$ 150 milhões na área de bovinos de corte e leite.
A Frimesa, uma grande central cooperativa de Medianeira, Oeste do Estado, projeta construir um abatedouro com capacidade de abate de 14 mil suínos por dia. Isso representa mais do que o dobro da capacidade atual do frigorífico que abate 6,5 mil suínos por dia. "Porém esse projeto está atrelado à conquista desse novo status sanitário", condicionou o presidente da central cooperativa, Valter Vanzela. Segundo ele, a empresa não consegue acessar 70% do mercado mundial de suínos, em países que valorizam mais esse tipo de produto, "porque o Paraná não tem o reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação". Outro projeto das cooperativas Capal, Batavo e Castrolanda, nos Campos Gerais, prevê elevar a capacidade de abate de 1,4 mil suínos para 4 mil animais por dia para atender o aumento da demanda que virá com a conquista do novo status.
Um estudo de viabilidade econômica feito pela Universidade de Brasília (UnB), sobre a condução desse processo no Paraná, apresentado pelo acadêmico Jorge Madeira Nogueira, aponta que a taxa de retorno dos investimentos que forem feitos para execução desta estratégia será de, no mínimo, 10%. Em condições normais, Nogueira destacou que de cada R$ 100 investidos nessa estratégia haverá um retorno de R$ 150 para a economia do Estado com a geração de emprego e renda.
De acordo com o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Jacir José Doriva, o setor vislumbra acessar mercados que pagam US$ 6 mil a tonelada de carne suína, quando o Estado conquistar o novo status sanitário. Ele listou países como Japão, Estados Unidos, China, Coreia do Sul, México e Indonésia entre os mercados que pagam bem pela carne suína, desde que sejam de áreas livres de febre aftosa sem vacinação.
O plano nacional de erradicação da febre aftosa no País prevê o fechamento das fronteiras do Paraná com Mato Grosso do Sul e São Paulo, considerados área livre de febre aftosa com vacinação. Não poderá haver circulação do transporte de animais e produtos de origem animal vindos de outros Estados, operação que terá controle da Agência de Defesa Agropecuária (Adapar). "Haverá exceções que serão discutidas", disse o diretor presidente da entidade, Inácio Kroetz.

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