A crise na Cooperativa Agropecuária do Médio Paranapanema (Campal) pode ter causado prejuízos de R$ 7 milhões a cerca de 100 associados que não poderão retirar soja e milho que foram depositados nos silos de quatro entrepostos. Ontem foi concluída a devolução da soja a quatro produtores que obtiveram uma liminar na comarca de Cornélio Procópio, que permitiu a apreensão da carga e garantiu sua entrega imediata.
Após uma ‘‘batalha’’ entre os advogados dos agricultores no fórum de Cornélio, sete deles foram beneficiados com a medida judicial, concedida pelo juiz Everton Luiz Penter Correa. Os três últimos a obter o documento acabaram não conseguindo ser ressarcidos, pois a quantidade do grão armazenado na unidade de Sertaneja, a única que ainda contava com produto estocado, foi insuficiente. A Folha apurou que as unidades de Cornélio Procópio, Congonhinhas e Panema (distrito de Santa Mariana) não tem produto estocado.
A soja e o milho armazenados ao custo de R$ 0,70 a saca poderiam permanecer na cooperativa até 30 de novembro. O produto teria sido negociado, sem que o dinheiro fosse repassado aos associados. Apenas um deles teria tido um prejuízo de cerca de R$ 500 mil.
Segundo informações passadas por uma secretária da sede da cooperativa, os diretores da Campal, inclusive o diretor-presidente José Luiz Marson, estão viajando e não poderiam dar entrevistas. O advogado Juarez Ferreira, defensor da cooperativa, também não foi encontrado. Os agricultores lesados afirmam que os diretores, alguns deles envolvidos em supostas irregularidades na Coprocafé, liquidada extrajudicialmente por acúmulo de dívidas há alguns anos, teriam fugido com o dinheiro.
Amim Hannouge, procurador de oito produtores lesados, ainda estuda uma forma jurídica de ressarcir seus clientes. Não está descartado um pedido de sequestro de bens dos diretores, já que a Campal não possui patrimônio. Suas instalações são arrendadas e não há informações sobre ativos bancários da organização.
Na próxima reunião da Câmara Municipal, os vereadores de Cornélio devem emitir uma moção de repúdio à atitude da diretoria da Campal, além de oficializar apoio aos produtores.

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