A falta de chuvas no Norte do Paraná já provocou a quebra de 27% na produção de milho safrinha na região, que corresponde a perda de 316.000 toneladas de milho. A região Norte concentra 33% da área plantada no estado e a safra estadual já apresenta uma quebra de 10%. No total, foram perdidos até agora 329.127 toneladas, que estão provocando prejuízos de R$ 60,2 milhões aos produtores. O levantamento de safra foi divulgado ontem pelo Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral).
As perdas mais acentuadas ocorreram nas regiões de Cornélio Procópio, Londrina e Ivaiporã. As lavouras ainda continuam suscetíveis à estiagem e a cada dia que passa sem chuvas as perdas aumentam, informou a engenheira agrônoma do Deral, Vera Zardo. Com isso, a Secretaria da Agricultura já reavaliou a safra 99/2000. A expectativa inicial era colher uma produção de 3.248.800 toneladas e agora poderão ser colhidas 2.919.600 toneladas, sendo que 96% das perdas estão na região Norte.
Foram registradas quebras de 6% na produção de milho safrinha das regiões Noroeste e Sul. Nas regiões Oeste, Centro-Oeste e Sudoeste, as lavouras estão tendo bom desenvolvimento porque foram atingidas por chuvas regulares. Em Cornélio Procópio, uma das regiões mais prejudicadas, o plantio não foi finalizado por causa da estiagem. A região previa plantar 105.000 hectares e foram plantados apenas 82.000 hectares.
O plantio de trigo também não foi finalizado na região Norte do Estado e está suspenso desde a semana passada. Até agora foram plantados 74% na região e o plantio só será retomado quando chover, informou Zardo. Ocorre que o prazo de plantio na região já se esgotou e daqui para a frente a cultura entra em fase de risco, sendo que os produtores não conseguem amparo no seguro agrícola. Segundo ela, a Secretaria da Agricultura reavaliou a área plantada no estado de 729.000 hectares para 725.000 hectares, mas ainda assim não está computando o plantio incompleto na região Norte, que concentra 38% da produção.
‘‘Se o tempo continuar seco, certamente a área de trigo será reavalizada’’, antecipou. No total do estado, 70% da área prevista já está ocupada. Na região Oeste o plantio está quase concluído com 98% da área plantada, no Centro-Oeste, 70%, no Sudoeste 35% e na região Sul, 4% da área foi plantada. A expectativa de produção é de 1,6 milhão de toneladas, que corresponde apenas 1% de aumento em relação à safra passada.
Mercado indeciso O mercado não reagiu ao anúncio da Secretaria da Agricultura sobre a quebra de produção do milho safrinha na região Norte do Estado. Os preços se mantiveram em R$ 11,70 a saca na região Oeste, entre R$ 12,50 e R$ 13,00 na região Norte e R$ 12,50 a saca na região de Ponta Grossa, informou a agência Safras e Mercados, de Curitiba. Segundo o analista, Paulo Molinari o mercado aguarda uma perda ainda maior, se não chover, e os reflexos serão sentidos somente a partir do mês de setembro.
Segundo Molinari, agora o período é de safra e o produtor está indeciso entre segurar o milho ou segurar a soja, com a expectativa da seca atingir as lavouras americanas. E no meio disso, tem os débitos que precisam ser pagos e ele tem que se desfazer da produção. O pagamento do custeio vence no próximo dia 30 e por isso não está havendo pressão de oferta. O produtor está vendendo a produção para pagar seus compromissos, destacou.

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