Prejuízos com safra de verão atingem R$ 2,48 bi
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Victor Lopes <br>Reportagem Local 
A estiagem provocada pelo fenômeno La NiÀa que atingiu um terço dos municípios paranaenses entre o final de 2011 e início deste ano já causou um prejuízo de R$ 2,48 bilhões aos produtores do Estado. O novo relatório das perdas foi divulgado ontem pelo Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral/Seab) e apontou uma quebra na safra de verão de 18%, principalmente nas lavouras de soja, milho e feijão, que foram parcialmente destruídas nas regiões Oeste, Noroeste e Sudoeste do Paraná. Segundo o Instituto Tecnológico (Simepar), nas estações metereológicas como Toledo, Campo Mourão, Maringá, Londrina e Francisco Beltrão, as chuvas de dezembro ficaram 33% abaixo da média normal do mês.
O maior prejuízo foi nas lavouras da oleaginosa, que teve quebra de 17,3% e prejuízo de R$ 1,76 bilhão. A safra estava inicialmente estimada em 14,11 milhões de toneladas, mas deve fechar em 11,67 milhões. As principais perdas da soja aconteceram no Oeste (quebra de 33,6%), Noroeste (32%) e Sudoeste (26%). No Norte, a perda da soja ficou em 14%, a menor em comparação com as outras regiões. ''Uma perda de R$ 1,76 bilhão tem que ser considerada. Infelizmente, é um número bem elevado'', avaliou Metódio Groxko, engenheiro agrônomo do Deral.
O milho também não vai conseguir fechar a safra de verão com número melhores do que 2011. Mesmo com uma área plantada 22% maior do que no ano anterior - por volta de 945,65 mil hectares - a produção deve ficar em 6,05 milhões de toneladas, ante 6,11 milhões de 2011. A estimativa antes da seca chegar era de colher por volta de 7,47 milhões de toneladas do grão. ''A quebra da safra foi de 19% e os prejuízos nas lavouras ultrapassaram os R$ 556,8 mil'', relatou Groxko.
Já a quebra da safra do feijão - apesar de possuir menor volume de produção - ultrapassou a casa dos 20%. A produção estimada em 430,6 mil toneladas deve fechar em torno de 344,2 mil toneladas. O prejuízo está em R$ 161,7 milhões e estima-se que 64% da área total destinada à cultura já foi colhida. ''Felizmente agora estamos com um bom volume de chuva. Por isso, é bem possível que as perdas se estabilizem.''
Fica a expectativa agora para a recuperação dos produtores com a chegada da segunda safra, especialmente com as lavouras do milho safrinha e do feijão. O milho terá um incremento na área plantada em torno de 12%, chegando a 1,85 milhão de hectares e produção estimada com aumento de 52%, algo em torno de 9,6 milhões de toneladas. Já o feijão deve ter um aumento de 9% na área de plantio, atingindo 186 mil hectares, e produção de 345,1 mil toneladas. ''Está chovendo bem, os preços estão bons, o que leva a um quadro mais animador. Vale lembrar que durante todo o ano passado, tanto quem plantou milho quanto feijão foram malremunerados'', completou o especialista do Deral.


