Prejuízos com geada impactam preços na Ceasa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de julho de 2013
João Fortes<br>Reportagem Local 
Diversos produtos comercializados na Central de Abastecimento de Londrina (Ceasa) começaram a semana com preços em alta depois das geadas dos últimos dias. Alguns itens mais que dobraram de valor, como é o caso da abóbora menina, cujo saco de 20 kg, que custava em média R$ 15 na segunda-feira, dia 22 de julho, e era comercializado ontem a R$ 65, alta de mais de 300%.
Já a caixa do chuchu extra de 22 kg teve alta de 100% durante o mesmo período, com o preço médio partindo de R$ 25 para R$ 50, enquanto que a caixa de 12 kg do pepino caipira subiu de R$ 28 para R$ 45, durante a última semana.
Entre as folhosas destaque para a caixa de 18 kg da acelga que no dia 22 custava R$ 10 e ontem foi para R$ 18, alta de 80%. O repolho também foi prejudicado pelo clima saltando de R$ 13 para R$ 20, a caixa de 28 kg.
A alface também subiu, mas não parece ter sido tão prejudicada quanto os produtos citados acima: passou de R$ 30 para R$ 36 a caixa de 18 unidades, alta de 20%. "Provavelmente porque muitos produtores dessa cultura já se profissionalizaram, com formas de cultivos que preservam melhor a lavoura, que é muito sensível ao clima", avalia o analista técnico da Ceasa de Londrina, Ismael Fonseca.
Ele acredita que se o tempo permanecer firme nos próximos dias, a tendência é que, gradativamente, os preços de alguns produtos voltem ao normal. Por enquanto, agricultores que comercializam seus produtos na Ceasa, sentem queda nas vendas de alguns itens. "Teve coisa que estragou bastante. Pra piorar é fim de mês e com preço elevado não vende", afirma o produtor rural Juliano Bortolassi. "E ainda tem bastante produto, mas daqui a uns dez dias tem coisa que vai começar a faltar", destaca o agricultor Moarcial Sebastião Ezequiel.
Dono de uma frutaria em Rondon, próximo a Cianorte, Jurandir Duarte passou para fazer compras ontem na Ceasa de Londrina e não teve outra escolha senão comprar menos mercadoria do que o normal. "O problema é que a qualidade caiu bastante. Se estiver caro mas com qualidade, o consumidor até compra, mas assim fica mais difícil".
Já o comerciante Orlando Aparecido, de Jandaia do Sul, disse que esperava preços ainda mais caros devido aos comentários sobre o impacto do frio na lavoura. Ele também saiu da Ceasa com o furgão menos cheio de mercadorias do que o normal. "Berinjela, por exemplo, nem comprei. Senão fica lá dois ou três dias sem ninguém comprar e estraga", afirma.
E quem melhor define o aumento dos preços é o comerciante Valderlei Fritz, de Lunardelli. "Na verdade quem paga a conta é o consumidor porque a gente tem que repassar o preço. E para nós, do jeito que está, é melhor vir aqui três vezes na semana e comprar pouco do que vir uma só para comprar em grande quantidade".
De acordo com o economista e coordenador da pesquisa mensal de cesta básica da Faculdade Pitágoras, Flávio Oliveira dos Santos, a alta dos preços na Ceasa já reflete no varejo, principalmente das folhas. "Nas próximas semanas pode ser que alguns preços no varejo subam ainda mais".


