Enquanto o problema da febre aftosa não é resolvido as cadeias das carnes (bovina, suína e de aves) acumulam prejuízos. Segundo cálculos do Sindicato da Indústria da Carne do Paraná (Sindicarnes), desde 13 de outubro (quando foram impostos os embargos internacionais devido a confirmação do foco no Mato Grosso do Sul) as três cadeias perderam US$ 290 milhões. O maior prejuízo ficou com o setor de suínos, que deixou de ganhar US$ 160 milhões; em seguida, estão os bovinos, com perdas de US$ 74 milhões e as aves com US$ 56 milhões.
Cerca de 160 mil toneladas de carnes deixaram de ser enviadas ao exterior. O Paraná perdeu os seus principais mercados consumidores: a União Européia e a Rússia (responsável por mais de 70% das compras de carne suína). O Estado conseguiu outros mercados menos exigentes - como Hong Kong e países do Oriente Médio - mas que consomem cortes considerados menos nobres e, por isso, o preço pago também é mais baixo.
''Em função da retirada de Estados exportadores (Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo) e da Argentina a cotação da carne bovina no mercado externo subiu 5%, mas quem mais ganhou foram Estados como Mato Grosso e Goiás devido ao repasse dos contratos entre frigoríficos'', explica Gustavo Fanaya, economista do Sindicarnes. Só para se ter um exemplo, Goiás exportava cerca de 17 mil toneladas por mês; entre janeiro e setembro deste ano, o volume saltou para 60 mil toneladas mensais.
Além de buscar mercados secundários, os prejuízos dos paranaenses foram minimizados porque a produção estadual conseguiu entrar no mercado paulista. Mas isso não impediu a perda de vagas para os trabalhadores. Estimativas do Sindicarnes indicam que 400 empregos foram perdidos ou 20% da mão-de-obra usada pelas indústrias. ''O setor teve que passar por alguns ajustes, mas quando as empresas voltarem à escala de abates esses trabalhadores devem voltar ao mercado de trabalho'', observa Fanaya. A partir do aumento da demanda, o preço da arroba também voltou aos seus patamares normais.
Em março, o custo atingiu o seu pico de baixa com R$ 45. Atualmente, está na casa dos R$ 57. Esse aumento da cotação da arroba também atingiu o consumidor. No atacado, a carne de primeira já registrou aumento de 12%, enquanto a carne de segunda subiu 15%. (F.M.)

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