Prejuízo para os cofres pode ch egar a R$ 540 milhões
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de dezembro de 2000
De Curitiba 
Se ocorrer o que ex-diretores do Banestado e a Secretaria da Fazenda estimam, isto é, recuperar apenas 30% dos R$ 1,8 bilhão em dívidas herdadas do banco, o governo terá de amargar um prejuízo de R$ 540 milhões para os cofres públicos. O dinheiro é equivalente a pelo menos dois meses de arrecadação tributária de todos os contribuintes.
Segundo informou um ex-diretor do Banestado, que preferiu não citar seu nome, o governo já poderia estar em fase adiantada com a cobrança. Ele disse ter conhecimento de que a Secretaria da Fazenda não repassava para o governador a informação de que a cobrança poderia iniciar. Por uma razão inexplicável, o Estado não cobra as dívidas, diz. A mesma fonte informa conhecer casos de empresas que se apresentaram para negociar o pagamento, mas mesmo assim não houve interesse do governo.
A Secretaria da Fazenda não deu informações ontem sobre a cobrança das dívidas. O secretário Ingo Hubert diz ainda estar em seu período de quarentena, se inteirando das finanças do Estado. O ex-secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, costumava dizer que não recuperar todos os créditos de difícil liquidação era um ônus que a população paranaense pagaria pelo rombo gerado no Banestado.
O Sindicato dos Bancários e a Fundação dos Funcionários do Banestado criticam a forma como esses créditos foram incorporados no Estado. Entre outras acusações, eles encaminharam ao Tribunal de Contas do Estado uma denúncia de que haveria desinteresse do Estado em recuperar muitos débitos. O caso foi encaminhado à Corregedoria para que seja feita uma análise. Em seguida, o processo será julgado pelo plenário. Ainda não há data prevista. (C.M.)


