Prejuízo para a competitividade
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de abril de 2006
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Genebra - As altas taxas de juros e a carga tributária pesada são dois dos fatores que mais contribuem para que o Brasil não consiga desenvolver uma economia mais competitiva. Economistas e analistas de diversos institutos de pesquisa internacionais apontam os dois aspectos como sérios obstáculos para o País nos próximos anos.
Pelo ranking anual de competitividade elaborado pelo International Institute for Management Development (IMD), uma das entidades de pesquisa mais reconhecidas da Europa, o Brasil ocupa a 51 posição entre 60 países avaliados. Segundo seus analistas, se não houver uma reforma tributária importante no País, além de uma harmonização dos vários sistemas de cobrança nos Estados, a economia nacional sofrerá para se tornar competitiva. ''O Brasil precisa completar suas reformas'', avalia a entidade.
Para o IMD, um dos pontos mais críticos são as taxas de juros e o custo de capital como limitador do desenvolvimento econômico do País. De acordo com o estudo, se esses pontos fossem resolvidos, o Brasil passaria da 51 para a 41 posição no ranking das economias mais competitivas.
Já o Fórum Econômico Mundial, com sede em Davos, na Suíça, aponta que nem o controle da inflação, nem o ajuste fiscal e nem mesmo as taxas recordes de exportação conseguem evitar que o Brasil continue despencando nos rankings da entidade sobre competitividade das economias. Um dos fatores que mais pesam na avaliação é, mais uma vez, a taxa de juros.
Em 2005, o Brasil caiu oito posições no ranking do Fórum e ocupa, entre 104 países, o 65º lugar. O País é superado por Gana, Namíbia e El Salvador. Em 2004, o País já havia perdido três posições no ranking do Fórum.
O fator mais alarmante foi a penúltima posição ocupada pelo Brasil entre 102 países avaliados em relação aos juros. Na prática, isso significa que o País é o segundo onde a taxa de juros mais pesa sobre a competitividade da economia. Observado de outra maneira, isso significa que, das 102 economias avaliadas, os bancos nacionais são os vice-campeões no ranking dos que mais lucram no mundo já naquela época.


