Prejuízo no feijão chega a R$ 31 mi
As geadas que atingiram as lavouras de feijão e milho safrinha, nos dias 17 e 18 de abril, provocaram de R$ 44,7 milhões com a quebra de 35% no feijão da seca e 5% no milho. O Deral, órgão da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, encerrou ontem o levantamento sobre os danos provocados pelas geadas e constatou que foram perdidos 39.000 ha plantados com feijão das secas, que correspondem a uma produção de 62.800 toneladas da safra das secas.
Os prejuízos com o feijão das secas somam R$ 31,4 milhões.
Mais 86.000 ha plantados com milho safrinha no Sul e Sudoeste, também foram atingidos pelas baixas temperaturas. A quebra de produção nessas regiões foi de 100.000 t. Com isso, a estimativa de produção de milho safrinha caiu de 2,4 milhões para 2,3 milhões de t. Os prejuízos com a perda de milho safrinha foram calculados em R$ 13,3 milhões. A perda de produção poderá ser compensada pelo aumento de produtividade nas regiões Oeste e Norte, onde se concentra a maior parte do plantio.
Com o levantamento dos prejuízos com as geadas, a área de plantio de feijão da seca foi reavaliada para cima, passando de 133.000 ha para 150.000 ha. A expectativa de uma boa comercialização, em função da frustração ocorrida com a safra das águas, levou muitos produtores a plantar fora de época, justificou a técnica Vera Zardo. Na reavaliação, a estimativa de produção passou de 160.000 para 182.000 t. Após as geadas, a estimativa de produção caiu para 119.000 t. Do total, cerca de 52.000 t (28% da área) já haviam sido colhidas.
As lavouras mais atingidas são das regiões Sul (45% da área), Sudoeste (57%) e Oeste (27%). Na região Sul, onde foram perdidos 22.000 ha com feijão das secas, o prejuízo só não foi maior, porque muitos produtores que plantam com tecnologia na região de Ponta Grossa, costuma antecipar o plantio.
Segundo Vera Zardo, este ano houve um plantio recorde de feijão da seca no Paraná, mas as lavouras foram atingidas por uma geada inesperada durante o mês de abril. Foi considerada de maior intensidade dos últimos 10 ou 15 anos. O agravante da situação é que se trata de um cultura que os produtores plantam com recursos próprios, sendo muito raras as áreas financiadas.
Mais soja meos trigo A produção de soja no Paraná da safra 98/99 será ainda maior do que estava sendo esperado. A estimativa foi reavaliada pelo Deral e a cultura deverá render 7,7 milhões de t, 200 mil t sobre a previsão anterior. A estimativa sobre o plantio de trigo neste inverno indica maior queda de área plantada. A redução que seria de 2,6% deverá atingir 11,5% em relação a área plantada na safra passada.
O aumento da soja é atribuído à produtividade recorde de 2.800 kg/ha. O clima bom, a aplicação de tecnologia e a evolução profissional dos produtores de soja contribuíram para esse bom desempenho disse a técnica do Deral, Vera Zardo. As maiores produtividades, da ordem de 3.000 kg/ha, são das regiões de Campo Mourão, Toledo e Cascavel. Em Ponta Grossa e Londrina, a média de produtividade é de 2.900/kge.
Já a redução da área plantada com trigo reflete o desânimo do produtor com as frustrações ocorridas nas últimas safras, com chuvas na colheita. Todas as regiões do Estado revelam redução de área, enquanto a região Sul aponta para um acréscimo de 18% na área plantada. As maiores reduções de área ocorrem nas regiões Oeste, com 21% e Centro-Oeste, com 25%.
A área de trigo cai de 898.000 ha na safra passada para 795.000 ha a ser semeados esse ano. Cerca de 11% da área já foi plantada até agora e os técnicos definiram melhor o plantio. O preço mínimo não estimulou o plantio e os produtores optaram pelo milho safrinha nas regiões mais quentes.ArquivoSafra perdidaProdutor teve que arcar sozinho: sem financiamento não há seguroVânia Casado





