De acordo com o consultor de finanças pessoais e diretor da PUC em Londrina, Charles Vezozzo, a pesquisa evidencia como o aumento da inflação tem um efeito negativo mais impactante nas classes com menor poder aquisitivo. "(A inflação) corrói primeiro o consumo de quem não tem como se proteger. Já as classes A e B, por exemplo, conseguem reservar uma parte dos seus ganhos contra a corrosão da inflação", analisa.
Além do aumento médio nos preços do produtos, por consequência da inflação, Vezozzo destaca outra possível razão para a queda no consumo pelas classes D e E, que, de certa forma, pode ser visto como algo positivo. "O aumento na inflação assusta o consumidor que é mais conectado e tem maior acesso à informação".
Depois do período estudado pela Kantar World Panel, o governo federal adotou medidas de desoneração de produtos da cesta básica, o que pode já ter influenciado no consumo. Para o consultor financeiro, tais medidas podem não ter o efeito esperado, caso exista aumento nas taxas de juros. "Vai ter um efeito, mas não como gostaríamos, porque penaliza os tomadores de crédito a longo prazo, algo que no Brasil é bem comum". (J.F.)

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